Mas talvez na mente de muitos de nós existam esses dois pensamentos.
Primeiro, o que pode ser feito para ajudar as pessoas nas circunstâncias mais difíceis, especialmente em assentamentos urbanos pobres, favelas, deslocados internos e campos de refugiados?
Segundo, como a igreja, os líderes cristãos e as congregações podem fornecer liderança sábia, colaborativa e compassiva, baseada na verdade?
Para aqueles que vivem em países e ambientes de alta renda, não é tão difícil seguir as regras conhecidas: mantenha pelo menos dois metros de distância, lave as mãos com água e sabão frequentemente e fique em casa, se possível.
Mas, como muitos de nós sabemos e todos podemos imaginar, é totalmente diferente para o um bilhão de pessoas que vivem em favelas ou campos de reassentamento. Essa é uma pessoa a cada oito no mundo. Além disso, 5% do mundo que vive em comunidades indígenas tem riscos muito altos (por exemplo, no Peru, Brasil e Bolívia).
Aqui estão algumas sugestões das diversas pessoas que encontramos na Rede Arukah[1] de diferentes países e de pacientes e contatos que alguns de nós encontramos em nosso trabalho diário.
Fiquei encantado ao ver este conselho resumido da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que é exatamente a abordagem que estamos tentando seguir na Rede Arukah:
Alguns membros do ICMDA estarão em uma situação ideal para incentivar esses modelos e dar conselhos quando necessário.
Onde o governo não está fornecendo subsídios adequadamente, a sociedade civil, incluindo grupos religiosos e igrejas, pode ajudar a estabelecer ou fortalecer as estruturas dos bairros, comunidades ou subdistritos, idealmente com o apoio de profissionais de saúde. Isso pode permitir duas abordagens valiosas, descritas abaixo, que podem salvar vidas, desde que algumas estruturas da comunidade estejam amplamente implementadas.
1. Configuração ou aceleração do rastreamento, monitoramento e isolamento
Isso é essencial para evitar a propagação. Onde o teste não está disponível, pode ser usada uma “abordagem sindrômica”, ou seja, identificar aqueles com sintomas prováveis, para que o rastreamento e o isolamento ainda possam prosseguir.
2. Proteger as pessoas vulneráveis
Por vezes conhecidas como ‘zonas verdes’, são áreas ao nível familiar, bairro ou comunidade onde as pessoas em maior risco podem ser ‘protegidas’ dos riscos de serem infectadas por outras pessoas que podem ser transmissoras sem sequer saber. As evidências mostram que isso é feito de maneira mais efetiva por meio de ‘blindagem institucional’, em outras palavras, usando uma ‘área neutra’ onde pessoas vulneráveis podem ficar ao invés de se auto-isolarem em casas, onde os riscos são geralmente maiores. Obviamente, isso deve ser feito com o acordo e o apoio da comunidade, e de maneira compassiva e inclusiva. As congregações cristãs podem estar bem posicionadas para liderar o processo. Nem sempre é fácil, mas está provando ser possível em algumas áreas, como mostra este relatório da London School of Hygiene and Tropical Medicine: Orientation for the prevent of Infections COVID-19 entre indivíduos de alto risco em acampamentos[2].
Use pôsteres e grupos do WhatsApp da comunidade, rádio e todos os outros meios para garantir que os membros da comunidade tenham informações precisas de saúde. Idealmente, precisa ser de origem governamental ou aprovada pelo governo para evitar confusão, mas deve ser baseada na ciência.
O fornecimento frequente de informações corretas gradualmente dissipa rumores falsos e às vezes mortais, e teorias da conspiração, que surgem rapidamente quando o medo de um novo perigo toma conta. Tenho certeza de que todos nós estaremos cientes de notícias falsas que são comuns em nossa comunidade. Este artigo com o link abaixo[3] é útil neste aspecto.
Devemos ter certeza de que nossas informações são precisas, fáceis de entender e usar e ser escritas de maneiras culturais e linguísticas específicas. Vídeos, imagens, histórias e citações de modelos respeitados podem ajudar a reforçar a mensagem.
Novamente, a igreja pode ajudar aqui, desde que esteja fornecendo informações verdadeiras, apoiadas pelo cuidado compassivo das pessoas da comunidade, com base na necessidade, não na crença.
Descubra das comunidades locais quais são os problemas e medos atuais que as pessoas estão enfrentando. Muitos estão dizendo que o maior problema não é o COVID, mas os efeitos do lockdown, como falta de comida, aumento da pobreza, brutalidade policial e as dificuldades de precisar morar juntos em espaços confinados.
As comunidades estão fazendo coisas incríveis. Aqui estão apenas alguns exemplos:
No projeto ASHA, Delhi, que trabalha em mais de quarenta assentamentos de favelas, agentes comunitários de saúde e outros visitam casas para garantir que as pessoas tenham comida e dinheiro suficientes para sobreviver; e, em resposta a pedidos, também estão fornecendo pacotes de higiene menstrual para meninas adolescentes.
Em Ruanda, um grupo do Arukah identificou 40 famílias mais necessitadas e forneceu feijão, farinha de milho, arroz e sabão.
Muitas comunidades estão incentivando as famílias a celebrar as coisas boas juntas, por exemplo, usando música, humor e a maravilha da natureza.
As igrejas estão usando fazendo culto online, que geralmente alcançam mais pessoas do que os que frequentam um culto na igreja. Esta é uma grande oportunidade para os líderes da igreja ou outras pessoas em suas congregações a compartilharem conselhos valiosos de saúde e orientação sobre saúde mental como parte do serviço.
Muitos projetos em locais nos quais qualquer forma de distanciamento é impossível, estão trabalhando duro para garantir que famílias, vizinhos e membros da comunidade tenham máscaras e sabão e saibam como usá-los.
Mostrando bondade especial e apoio criativo a pessoas com deficiência e outras vulnerabilidades.
Em uma área do Quênia, as mulheres cozinham refeições e as entregam aos policiais, pois reconhecem que passam fome por tantas horas nas ruas. Nas áreas de Kericho e em outras partes do país, os grupos tribais estão deixando de lado suas diferenças para apoiarem-se mutuamente e, assim, criar novos modelos de amizade.
Pessoas de diferentes religiões estão trabalhando juntas com sucesso ao encontrar áreas comuns, como foi feito com sucesso em Serra Leoa na época do Ebola.
Em Jamkhed, Maharashtra, Índia, um programa de saúde rural tratou quase 150 indivíduos com COVID-19 e em quarentena e, no processo, serviu 5.600 refeições quentes gratuitas.
Como os líderes religiosos geralmente são os mais ouvidos e respeitados, precisamos fornecer informações fáceis de entender para que possam ajudar suas congregações a entender.
Os líderes religiosos podem assumir um papel de liderança em todas as idéias já descritas. Uma coisa é importante. Eles precisam ser habilmente guiados até o espectro mais baseado na verdade e menos extremo de seus ensinamentos religiosos. Isso é especialmente relevante para cristãos e muçulmanos, que não concordam em dizer que somente Deus e a oração serão suficientes para impedir ou curar o COVID.
Esta é uma oportunidade única para os líderes religiosos em geral, e para os líderes e congregações da igreja em particular, para moldar e liderar respostas compassivas, colaborativas e científicas.
Algumas das maiores tensões familiares ocorrem durante o isolamento. As queixas e mágoas do passado podem vir à tona e adicionar muito a problemas de saúde mental, maus tratos ou mesmo violência. O presente do perdão, melhor ainda o perdão mútuo, pode ser incrível. Um líder da família ou um membro respeitado da família sugere que todos concordem em perdoar as queixas do passado e dar uma sensação de absolvição do que ocorreu no passado.
Explicar isso pode ser difícil e precisa ser autêntico. Mas se for feito com bondade e sensibilidade, na presença de Deus e com uma oração curta e gentil, poderá trazer novas bênçãos e paz à família.
Ted Lankester é Diretor da Rede Arukah
Tradução: Médicos de Cristo
Referências
]]>O que REALMENTE está acontecendo por trás da COVID-19? É o início de uma Nova Ordem Mundial, um encobrimento do CDC[2], um ataque biológico planejado ao mundo ocidental ou uma das várias outras teorias de explicações possíveis que estão sendo dadas? Se você realmente acredita que uma dessas teorias é 100%[3] correta e está disposto a basear sua vida nela, não siga com esta leitura.
Porém, para aqueles que não têm certeza, ou que têm amigos que querem que as explicações alternativas sejam consideradas, espero que este post ajude.
Em primeiro lugar, como médico, tenho visto a reação que estamos tendo como sociedade, manifestada centenas de vezes em indivíduos ao longo dos anos. Considere uma jovem que acaba de contar que tem câncer de mama. Ela vai passar por algumas respostas e emoções previsíveis:
Ao longo de tudo isso, há uma forte tendência de as pessoas procurarem outra pessoa (ou coisa) para culpar. Essencialmente, o que eles procuram é um senso de controle e previsibilidade – e é totalmente normal querer isso.
Pense em como respondemos como comunidade à COVID-19. Vimos todas as reações acima em nós mesmos e nas pessoas ao nosso redor: negação, raiva, ansiedade e barganha. E certamente estamos vendo muitas acusações e procurando alguém para culpar. Queremos recuperar algum senso de controle, e isso é compreensível.
Quando as pessoas começam a culpar, no entanto, existem alguns problemas:
Quando as pessoas começam a tentar recuperar o controle, as teorias que mencionei no início podem ser muito atraentes. Dá uma sensação de alívio saber que as coisas estão acontecendo conforme o esperado (mesmo que não pelas pessoas que você deseja que estejam no controle – pelo menos alguém está, e talvez possamos impedi-los!).
Mesmo antes da COVID-19 já havia pesquisa sobre isso (não é uma maneira nova que os humanos usaram para lidar com desastres e medo, mas agora estamos vendo isso se intensificar):
Por enquanto, nenhum de nós tem recursos ou capacidade para investigar todas as teorias que existem. Diante disso, algumas parecem completamente ridículas, mas muitas possuem uma raiz de verdade, que é o que torna difícil até mesmo para pessoas inteligentes e educadas discernir.
Minha preocupação como médico e membro da comunidade é que as pessoas estão gastando enormes quantidades de tempo e energia correndo atrás de teorias, discutindo-as e divulgando-as, e NÃO focando no fato de que estamos no meio da pior crise médica que nossa geração já viu.
Quando a poeira baixar e as investigações forem conduzidas nos próximos anos, muitas dessas perguntas serão respondidas. Essa será a hora de buscar justiça e cobrar contas. No momento, precisamos fazer o que sabemos ser importante e útil para reduzir a disseminação do vírus e a ansiedade desnecessária. Portanto, em um nível muito prático:
Como cristãos, sabemos que, aconteça o que acontecer, Deus está no controle e sabe o tempo de tudo, incluindo o retorno de Jesus. Mas nós não sabemos, então não vamos nos prender a predições, mas sim ‘vigiar’ obedecendo fielmente a Ele no presente. É assim que se pode ‘estar pronto’.
Como indivíduos e comunidades, ainda há muito que PODEMOS fazer e controlar, então vamos nos concentrar nisso!
O Dr. Tash Yates é um Clínico Geral sediado em Gold Coast, Austrália.
Referências
1. Médicos de Cristo – Tradução: Mireille Gomes / Revisão: Flávia Figueiró
2. CDC – Centers for Disease Control and Prevention – Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos
3. https://www.bibliaonline.com.br/nvi/is/66/1-24
]]>Eu sou o mais velho entre três médicos em um pequeno hospital chamado Shanti Bhavan Medical Center, em uma vila chamada Biru, situada no estado de Jharkhand, na Índia. Lidero uma equipe de quatro médicos – dois médicos experientes, incluindo eu (tenho quase 70 anos) e dois jovens médicos recém-saídos da faculdade.
Somos o único hospital de nível secundário em um raio de 70-80 quilômetros, e para uma unidade com UTI não há mais ninguém em 100 quilômetros. Os centros maiores mais próximos estão em Ranchi e Rourkela – mais de 100 quilômetros e um mínimo de 3-4 horas de viagem rodoviária de distância.
Ao redor do hospital, há pequenos vilarejos habitados predominantemente por tribos. A população local está envolvida na agricultura marginal, além da coleta de produtos florestais. A atividade agrícola ocorre apenas durante a estação das chuvas. Quando não há cultivo, os homens migram principalmente para os estados vizinhos como trabalhadores, deixando para trás idosos, crianças e mulheres. Portanto, nosso hospital existe entre uma população muito marginalizada.
O alcoolismo é alarmante entre ambos os sexos, independentemente da idade, e somado a isso há uma alta taxa de analfabetismo. As pessoas são tão pobres que muitas vezes não conseguem pagar nem mesmo o custo mínimo do tratamento. Esta instalação com 60 leitos é bem equipada, mas com falta de pessoal. Lidamos com uma ampla gama de emergências, como picadas de cobra, envenenamento, infarto agudo do miocárdio e malária cerebral. Também gerenciamos todos os tipos de trauma, incluindo traumatismo craniano, trauma múltiplo e ferimentos devido a ataques de faca.
Ao receber a ordem governamental, minha primeira reação foi de pânico, pois não tínhamos todos os recursos de que precisávamos. Não havíamos preparado nenhuma de nossas instalações para cuidar de pacientes com COVID-19. Depois, havia a preocupação com a segurança de nossa equipe – não apenas por mim, porque estou perto dos 70, mas também por outras pessoas que estão na casa dos 40 e 50 anos.
Eu estava para conseguir obter protocolos relativos ao gerenciamento da COVID-19. Por estarmos isolados da comunidade médica principal/central, era difícil para a gente obter informações confiáveis e autênticas. Já havia medo criado nas mentes de todos os nossos funcionários por causa do que foi divulgado nas plataformas de mídias sociais. Somado a isso, havia o impacto da quarentena nacional, sem lojas, suprimentos ou transporte. Parecia que íamos atravessar um túnel escuro sem saber aonde nos levaria.
Mas quase não havia tempo para pensar, pois tínhamos de ‘começar a trabalhar logo’. Não tínhamos EPI e eles não estavam disponíveis em nenhum lugar. Não tínhamos medicamentos específicos e nossos fornecedores foram fechados. Então, foi como entrar em uma batalha sem armadura em nossos corpos e sem armas em nossas mãos.
Usamos todos os recursos para preparar o EPI. Não havia nenhum que pudesse ser comprado localmente. Apesar de todas essas dificuldades, a equipe foi estóica [2] e cooperou de coração. Pegamos dinheiro emprestado e compramos qualquer material que pudéssemos conseguir nas lojas locais. Em seguida, projetamos nosso próprio EPI – equipamento de proteção costurado à mão – com todos contribuindo. Compramos pó de descoloração, preparamos uma solução de hipoclorito e coletamos álcool industrial para higienizadores de mãos. Tudo o que julgamos necessário para tratar os pacientes com COVID-19, improvisamos. Fizemos nossas próprias máscaras de tecido de quatro camadas e convertemos folhas de plástico em aventais e galochas em calçados de proteção.
Então começou uma cascata de problemas com os quais nunca tínhamos sonhado. Como um hospital COVID-19, não tínhamos permissão para atender nenhum paciente de rotina não COVID-19. Assim, nossa principal fonte de renda desapareceu repentinamente. Nossas reservas se esgotaram e ficamos reduzidos a uma existência cotidiana precária, sempre preocupados com de onde viriam os meios de sobrevivência do dia seguinte.

Para agravar tudo isso, havia o enorme estigma social associado ao fato de sermos um hospital para coronavírus. Muitos de nossos funcionários que vinham de vilarejos próximos foram impedidos de trabalhar porque eram suspeitos de transportar o vírus de volta para seus bairros. Eles foram proibidos de tomar banho no lago da aldeia ou de chegar perto de qualquer poço de água e foram orientados a não se aproximar da igreja ou das lojas locais. Muitos deles foram ameaçados de violência se persistissem em vir trabalhar no hospital. O estigma da COVID-19 é tão profundo na comunidade que nossa equipe quase foi excluída em suas aldeias. A intervenção da polícia local não teve muito efeito. Então, nós os levamos para o hospital e lhes demos acomodação temporária e alimentação. Isso nos deixou cada vez mais endividados, pois tínhamos que pedir mais empréstimos para suprimentos e alimentos.
Oramos juntos todas as manhãs e noites, suplicando a Deus que nos guiasse. Ficamos de mãos dadas, prometendo cuidar uns dos outros, mesmo se adoecêssemos. A convicção cresceu em nós, lenta mas seguramente, de que podemos fazer coisas com a ajuda de Deus, apesar dos problemas aparentemente intransponíveis que enfrentamos.
Começamos com o que tínhamos quando os primeiros pacientes chegaram. Iniciamos com a firme confiança de que Deus estava conosco nesta jornada conturbada. Nos sentimos ligados a Deus e uns aos outros quando começamos a cuidar dos pacientes infectados com COVID-19. Nunca deixamos de nos encontrar todos os dias para orar e apoiar uns aos outros. Pela graça de Deus, conseguimos obter medicamentos dos suprimentos do governo.
O estado de Jharkhand estava enfrentando um enorme fluxo de trabalhadores migrantes voltando de outros estados e temíamos que uma enxurrada de casos COVID-19 estivesse a caminho. Nossos temores foram provados corretos quando muitos dos trabalhadores que retornaram estavam infectados. Eles logo começaram a chegar à nossa porta – homens, mulheres grávidas e até crianças. Eles chegaram exaustos, desidratados e às vezes morrendo de fome. Cada um deles tinha uma história angustiante sobre dificuldades inimagináveis pelo caminho. Eles chegaram com nada além do que estavam em suas costas – sem muitos bens materiais, sem dinheiro e sem documentos. Além de tudo isso, estar infectado com a COVID-19 foi o pior de seus sofrimentos.
O que começou como um gotejamento tornou-se uma inundação. Ao mesmo tempo, tínhamos 40 pacientes positivos para COVID-19 na enfermaria, incluindo mulheres grávidas e uma criança de três anos. Todos eles tiveram que ser alimentados e cuidados.
Apesar de todos os desafios, nós os tratamos com cuidado e compaixão, sem comprometer a segurança da equipe. Asseguramos que eles fossem alimentados com comida nutritiva e tivessem um tempo de descanso. Era muito evidente que eles não podiam esquecer facilmente o trauma de sua jornada. Estávamos muito preocupados com as mulheres grávidas e as crianças. Éramos apenas alguns médicos e enfermeiras, mas trabalhávamos sem parar, apesar de nossos temores de segurança e nosso cansaço físico. Foi uma tarefa difícil para uma pequena comunidade como a nossa.
Foi difícil convencer uma criança de três anos a não sair do confinamento de seu quarto. Para muitos deles, especialmente as crianças, deve ter sido uma experiência assustadora – o isolamento estrito e os trabalhadores médicos cuidando deles com roupas estranhas, sem seus rostos nem suas expressões claramente visíveis.
Em um ponto, pensamos que havia chegado ao fim de nossos recursos e determinação. Fomos forçados ao limite por dinheiro, poder material e humano. Eu não estava orgulhoso de estar neste estado e estava extremamente angustiado por pedir aos funcionários que colocassem suas vidas em perigo sem poder pagar-lhes um salário mínimo. Eu não tinha mais orgulho de mim mesmo para fingir que poderíamos viver por conta própria. Oramos fervorosamente para que Deus encontrasse uma maneira de continuarmos caminhando fielmente e de servi-Lo, apesar das probabilidades aparentemente intransponíveis.
Então, na hora certa, muitos dos meus professores, colegas, ex-alunos, ex-colegas e estudantes entraram em cena com suas ofertas de apoio. Por meio de algumas dessas conexões, muitas portas de generosidade se abriram, além dos meus sonhos mais impensáveis.
O que começou como um gotejar de doações, logo se tornou uma torrente de bênçãos. Isso trouxe presentes em dinheiro para pagamentos de materiais, EPIs, medicamentos, bem como despesas com alimentação para todos nós. Isso nos garantiu nossa segurança e provisão para nossas necessidades imediatas. Eu poderia dormir tranquilo depois de passar noites sem dormir me preocupando em atender às necessidades do dia seguinte.
Até agora, tratamos 173 pacientes – incluindo casos positivos para COVID-19 e casos suspeitos de COVID-19. Todos os casos confirmados tornaram-se negativos, tiveram alta e foram bem encaminhados para casa. Não houve mortalidade. Toda a nossa equipe está segura e ninguém foi infectado até o momento. Tudo isso foi possível pela graça de Deus, bem como pela bondade e apoio de tantos ligados ao Christian Medical College Vellore, minha alma mater[3].
A luta continua. Mas acreditamos que não estamos sozinhos neste canto esquecido da Índia, travando uma luta solitária contra esse inimigo invisível. Deus tem estado conosco constantemente. Nós sobrevivemos até agora com Graça, Coragem e Gratidão – a graça de Deus e tantas pessoas conectadas aos meus dias na faculdade de medicina; a coragem de nossa pequena equipe, que ficou firme comigo persistentemente, apesar de suas frustrações e exaustão; gratidão a Deus por sua imensa misericórdia em nos manter seguros e às nossas famílias e amigos por seu apoio e orações constantes.
Em última análise, percebemos que estes são tempos sem precedentes. Em O Senhor dos Anéis, Frodo diz, ‘“Gostaria que isso não tivesse acontecido na minha época.” “Eu também,” disse Gandalf, “Como todos os que vivem nestes tempos. Mas a decisão não é nossa. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.”'[4]
Mas para nós, como cristãos, a firme convicção é que nossos tempos estão nas mãos do Senhor, como está escrito em Isaías 43:1-2:’ Mas agora assim diz o Senhor, aquele que o criou, ó Jacó, aquele que o formou, ó Israel: “Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu. Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; e, quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, você não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas.’ (NVI)
Nós, como uma pequena equipe de trabalhadores de saúde cristãos em um canto remoto e isolado da Índia, podemos testemunhar que essa promessa é verdadeira enquanto continuamos a testemunhar nosso Salvador servindo aos aflitos pela COVID-19 nessas circunstâncias difíceis e provadoras.
O Dr. George Mathew é o diretor médico do Shanti Bhavan Medical Center na vila de Biru, no distrito de Simdega, no estado de Jharkhand, na Índia. Ele pode ser contatado em [email protected].
Ouça um recente webinar do Dr. Mathew enquanto ele descreve com mais detalhes como é enfrentar a COVID-19 em um local remoto e com poucos recursos: https://www.youtube.com/watch?v=qeoVYf67veE.
Referências
1. Médicos de Cristo – Tradução: Mireille Gomes / Revisão: Flávia Figueiró.
2. Estoicismo – substantivo masculino Rigidez ou fidelidade aos seus próprios princípios. [Filosofia]
3. Alma mater – expressão alegórica em latim que pode ser traduzida como a mãe que alimenta ou nutre.
4. TOLKIEN, J. R. R. O Senhor dos Anéis. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
]]>En plus de soins médicaux de qualité, les professionnels de la santé chrétiens ont un appel unique à remplir, ainsi que des ressources uniques à offrir aux individus, aux communautés, aux pays et aux églises alors que tout le monde est aux prises avec le nouveau coronavirus (SRAS-CoV-2).

La maladie à coronavirus (COVID-19) est dévastatrice car elle est hautement transmissible, avec un indice de reproduction (R0) compris entre 2-3. La période d’incubation varie entre deux et 14 jours, similaire à d’autres coronavirus tels que le SRAS-CoV et le MERS-CoV. Cependant, la grande majorité des patients présentent une infection asymptomatique ou une maladie bénigne. Le résultat net: les individus infectés sont très contagieux. Une personne infectée typique transmettra le coronavirus à deux ou trois autres personnes. Le taux de croissance de la maladie peut être géométrique et non linéaire.
En raison de cette propagation rapide, les chaînes d’approvisionnement des soins de santé se replient. Au cours des premières semaines de la pandémie de COVID-19, les professionnels de la santé de New York et d’autres épicentres ont signalé une pénurie d’équipements de protection individuelle (EPI), ce qui les expose à un risque d’infection important. Les médias sociaux regorgent d’histoires de professionnels de la santé utilisant et réutilisant leurs respirateurs N95, tandis que d’autres ont servi des patients portant uniquement des masques chirurgicaux. Des appels ont été lancés pour que les écoles, les cabinets de dentistes et les chaines de télévision fournissent des respirateurs. Face au potentiel infectieux, les professionnels de santé de tout le pays ont dû se rendre compte du coût de leur vocation.
Chacun de nous comprend le risque, mais les professionnels de la santé chrétiens doivent jouir d’une grande liberté lorsque nous calculons le coût. Nous devrions être les premiers à nous porter volontaires pour prendre le relais de collègues plus âgés ou immunodéprimés. Nous devrions être les premiers à offrir notre accès aux EPI. Nous devrions être parmi ceux qui ont le moins peur d’entrer quotidiennement en contact étroit avec des patients infectés. Même si nous appelons les communautés à pratiquer la distanciation sociale, nous nous rapprochons. Pourquoi? Nous suivons les traces de Jésus. Dans une culture qui nous encourage à nous concentrer sur nos familles et à investir dans notre sécurité, il nous a appelés à être prêts à abandonner nos familles pour le suivre (Luc 14: 25-27). Lorsque d’autres pratiquaient la distanciation sociale, Jésus tendit la main pour toucher le lépreux (Marc 1: 40-45). Jésus appelle chacun de nous à perdre sa vie pour lui (Matthieu 10:39), à prendre la croix et à le suivre (Matthieu 16:24) et à démontrer l’amour en donnant sa vie pour les autres (Jean 15:13). C’est peut-être la miséricorde de Dieu que la pandémie soit arrivée aux États-Unis juste au début du Carême. Nous sommes invités à suivre Jésus partout où il mène, même quand cela mène au Calvaire.
Lors de l’épidémie d’Ebola en 2014, le monde s’est émerveillé de l’exemple de professionnels de la santé comme le Dr Kent Brantley, un collègue chrétien et membre du CMDA. Ils ne pouvaient pas comprendre sa volonté de risquer une exposition et une mort possible en restant au Libéria. Ils ne pouvaient pas comprendre son désir de retourner en Afrique après sa guérison. Mais son exemple ne devrait surprendre aucun chrétien et devrait être imité par tous les chrétiens. Jésus a embrassé la mort pour sauver les autres (Romains 5: 6). Il a triomphé de la mort, alors elle a perdu son aiguillon (1 Corinthiens 15:55). En tant que chrétiens, nous savons en qui nous croyons et nous sommes convaincus qu’il peut garder ce que nous lui avons confié (1 Timothée 1:12).
Lorsque nous suivons Jésus de cette manière, l’Évangile devient clair pour tout le monde. C’est ce qui s’est passé lorsqu’un pasteur italien de 75 ans atteint de COVID-19 a été admis dans un hôpital de Lombardie, en Italie. Bien qu’il soit assez malade, il a lu la Bible aux mourants. Il a tenu leurs mains. Même à sa mort, il était un messager d’espoir. Son médecin, le Dr Julian Urban, a décrit l’impact de ce pasteur: «Malgré plus de 120 morts en trois semaines, nous n’avons pas été détruits. Le pasteur avait réussi, malgré son état et nos difficultés, à nous apporter une paix que nous n’avions plus espéré trouver. Nous ne pouvons pas croire que, bien que nous étions autrefois des athées féroces, nous sommes maintenant quotidiennement à la recherche de la paix, demandant au Seigneur de nous aider à continuer afin que nous puissions prendre soin des malades. »
Parce qu’il s’agit d’un nouveau (ou d’un «nouveau») coronavirus, nos outils de prévention et de traitement sont limités. Les immunités naturelles n’existent pas. Les chercheurs n’ont pas eu le temps de développer des vaccins. Les médicaments n’ont pas été testés pour leur innocuité et leur efficacité. Cela conduit à une morbidité et une mortalité importantes, en particulier pour les personnes âgées et celles qui présentent des comorbidités.
Parmi les patients atteints de COVID-19, 19% des personnes infectées souffriront d’une maladie grave ou deviendront gravement malades. La plupart présentent des symptômes autour de quatre jours. Les patients infectés présentent souvent de la fièvre (77 à 98%), de la toux (46 à 82%), des myalgies ou de la fatigue (11 à 52%) et un essoufflement (3 à 31%) (voir les références ici, ici et ici). Le taux de létalité (TFC) est estimé à 3,6%, 8% et 14,8% pour les 60 à 69 ans, 70 à 79 ans et plus de 80 ans, souvent en raison du syndrome de détresse respiratoire aiguë (SDRA). La mortalité augmente à 10,5%, 7% et 6% pour les personnes atteintes de maladies cardiovasculaires, de diabète et de maladies respiratoires chroniques, d’hypertension ou de cancer.
Alors que les systèmes de santé sont confrontés à un nombre écrasant de patients atteints de COVID-19, d’autres pays ont connu des pénuries de ventilateurs pour les patients atteints de SDRA. Les médecins italiens ont dû choisir quels patients recevaient des ventilateurs et lesquels n’en recevaient pas. C’est une décision qu’aucun professionnel de la santé ne devrait jamais avoir à prendre. Pourtant, c’est un moment critique pour lutter avec ce que nous croyons au sujet du caractère sacré de la vie et de la répartition inéquitable des ressources médicales. Pendant une pandémie, ces injustices deviennent des problèmes de vie ou de mort.
L’éthique médicale, éclairée par des siècles de pensée chrétienne, peut nous guider dans les décisions individuelles concernant la personne à placer sur un ventilateur. Cependant, les chrétiens du secteur de la santé qui réfléchissent à ces questions devraient être profondément troublés lorsque les disparités en matière de santé conduisent inutilement à ces situations.
Des recherches menées par la Kaiser Family Foundation, par exemple, suggèrent que, contrairement aux tendances observées ailleurs, les jeunes patients (personnes de moins de 65 ans) dans le sud des États-Unis sont plus susceptibles de développer une maladie grave que dans d’autres régions du pays. Dans une interview accordée à The Atlantic, Tricia Neuman, vice-présidente principale de la Kaiser Family Foundation, a déclaré: “ En raison des taux élevés de maladies telles que les maladies pulmonaires, les maladies cardiaques et l’obésité, les personnes vivant dans ces États sont à risque si elles sont atteintes par le virus. »L’article souligne également que ces États dépensent souvent moins en santé publique.
Un engagement envers le caractère sacré de la vie devrait inclure, mais sans s’y limiter, le débat sur l’avortement. Il doit également éclairer notre engagement à fournir aux patients de tout le pays un accès équitable à des soins de santé de qualité.
En tant que professionnels de la santé chrétiens, notre engagement envers la guérison s’étend au-delà des individus jusqu’aux communautés. En tant qu’ancien responsable des « Centre de contrôle et de prévention des maladies», j’ai passé plusieurs années à travailler à l’échelle mondiale pour protéger les communautés par le biais d’initiatives de santé publique. L’un des outils les plus puissants dont nous disposions était de fournir aux communautés des informations précises sur les maladies et la prévention. Les communautés mal informées ou non informées ont pris de mauvaises décisions en matière de santé.
Cela n’est pas moins vrai lors d’une pandémie. Nous avons une occasion unique de nous associer avec des pasteurs et des dirigeants d’autres organisations communautaires qui sont mal outillés pour évaluer le torrent de données médicales qui suit une pandémie. Nous pouvons les aider à évaluer les risques. Nous pouvons les aider à planifier. Nous pouvons persuader les communautés de s’engager dans des actes qui protègent les plus vulnérables.
Lorsque les églises ou les quartiers résistent au besoin de distanciation sociale, nous devons dire clairement, constamment et fort que la distanciation sociale est l’un des moyens les plus efficaces d’aplanir la courbe épidémique. En favorisant la distanciation sociale, les professionnels de la santé chrétiens protègent leurs communautés de la contagion, tout en permettant aux patients infectés de recevoir des soins et des traitements appropriés. Les vecteurs humains, l’ingrédient essentiel de la transmission de la maladie, sont éliminés par ces interventions non pharmacologiques. Cela réduit la possibilité pour le COVID-19 d’infecter d’autres personnes, ce qui se traduit par un nombre inférieur de décès et une capacité de soins de santé durable.
Lorsque des déclarations erronées ou trompeuses sont faites dans ou par les médias, nous devrions être les premiers à nous opposer et à corriger. Nous devons résister à la politisation des données scientifiques ou des recommandations parce que notre fidélité appartient à Jésus. Nous pouvons offrir au public une voix apaisante, factuelle et centrée sur la vérité dans un océan de nouvelles angoissantes. Alors que la pandémie diminue, nous pouvons interpréter les données et aider les églises et les communautés à décider si et quand recommencer à se réunir.
L’obscurité de la pandémie ne disparaîtra pas assez rapidement. Cela exigera de nombreux mois de sacrifice, de service et de prise de parole. Cependant, pendant la lutte et la souffrance, la joie et la paix sont disponibles pour les chrétiens. Mais cela nous obligera à embrasser deux disciplines essentielles.
Premièrement, nous devons apprendre à nous plaindre. Les deux tiers de tous les psaumes sont des psaumes de lamentations à travers lesquels les écrivains bibliques ont déversé leur douleur, leur peur, leur doute et leur chagrin devant le Seigneur. Dans une pandémie, nous devons nous plaindre. Nous serons plongés dans la tragédie. Dans ces lieux isolés, nous pouvons trouver refuge dans la communion avec Dieu. Alors que des chœurs d’espoir et de joie peuvent soutenir nos esprits, la prière de lamentation nous gardera honnêtes devant Dieu et les uns envers les autres.
Deuxièmement, nous devons embrasser le sabbat quand nous pouvons le trouver. Le sabbat nous invite à accepter nos limites en tant qu’êtres créés. Nous devons nous reposer. Nous devons avoir confiance que Dieu est à l’œuvre alors que nous ne le sommes pas. Nous devons reconnaître que lui seul est le sauveur et le guérisseur du monde. Nous ne sommes pas. Le sabbat confronte les idolâtries de la productivité et de l’action. Lorsque nous observons le sabbat, nous proclamons notre confiance en Dieu. C’est essentiel lors d’une pandémie.
Cet article est reproduit avec l’autorisation du site Web du CMDA, où il a été initialement publié le 1er juin 2020.
A propos de l’auteur
Le révérend Stephen Ko, MD, MA, MPH, MDiv, est pasteur principal de la New York Chinese Alliance Church à New York, New York.

Pendant des siècles, la compassion a été le motif et la pratique des soins des malades, notamment dans les monastères chrétiens où des « infirmeries » étaient établies dès 680 après JC. Aujourd’hui, bien que les établissements de santé soient répandus et diversifiés, la compassion constitue une forte motivation pour ceux qui y travaillent. Et, en ces jours de COVID-19, une telle compassion a été déversée de façon spectaculaire même face à un risque personnel élevé.
L’intérêt formel pour la recherche en compassion a une histoire récente. Depuis les années 1960 cet intérêt s’est accru substantiellement avec une nette augmentation des publications au cours des 10 dernières années. PubMed a listé en aout 2020, 12915 références scientifiques à ce sujet.
En 2016, une définition formelle de la compassion dans les soins de santé a été tirée d’une revue systématique de la littérature par Perez-Bret, Altisent et Rocafort. Ils ont proposé de définir la compassion comme “ la sensibilité manifestée pour comprendre la souffrance d’une personne combinée à une volonté de l’aider et de promouvoir son bien-être, afin de trouver une solution à sa situation. ” Ainsi, les deux composantes déterminantes de la compassion sont une compréhension empathique de la souffrance associée à une réponse ciblée et pratique pour apporter un soulagement.
C’est donc sans surprise que de nombreuses références scientifiques valident les avantages pour les patients d’être traités avec compassion. Une revue systématique en 2013 a mis en évidence l’amélioration de la satisfaction et de l’observance des patients, une réduction de leur anxiété et de leur détresse, de meilleurs résultats diagnostiques et cliniques et une augmentation de la capacité des patients à améliorer leur propre santé. Moins bien connus sont les bénéfices qu’apportent le fait d’agir avec compassion aux professionnels de la santé: un meilleur fonctionnement immunitaire; une satisfaction accrue avec leurs relations; une protection contre le stress professionnel, les abus et les tentatives de suicide et le moindre risque d’épuisement professionnel.
Cependant, offrir des soins avec compassion peut avoir un coût. Environ 19 500 articles scientifiques montrent des preuves accablantes que les professionnels de la santé sont plus à risque que la population générale de souffrir de problèmes de santé mentale importants, y compris l’épuisement professionnel.
Un outil utile à considérer dans ce contexte est la « courbe de stress » basée sur les recherches de deux psychologues Yerks et Dodson en 1908. Le tracé de la « performance » par rapport à la « pression » montre que lorsque la pression augmente, la performance s’améliore jusqu’à un point optimal, au-delà duquel l’augmentation de la pression entraîne une détérioration des performances et, si elle n’est pas maitrisée, conduit à un « burnout ».
L’épuisement professionnel est un mot utilisé librement dans le langage courant, mais nous devons être précis dans notre utilisation de la terminologie. En 2019, l’OMS a officiellement reconnu l’épuisement professionnel, le définissant comme « un syndrome résultant d’un stress chronique au travail qui n’a pas été géré avec succès ».
Il est important de connaître les causes et les symptômes de l’épuisement professionnel. Le premier est de permettre aux médecins d’éviter les comportements favorisants, et le second, de permettre une détection précoce de l’apparition possible de l’épuisement professionnel – pas seulement chez nous mais chez nos collègues.
Les médecins doivent donc reconsidérer les stratégies d’adaptation internes qu’ils ont pu développer. Le soutien par les pairs ou « se soucier les uns des autres » est souvent identifié comme ayant une importance particulière. L’identification des sources externes de soutien est un autre élément essentiel de notre évaluation, en particulier les adresser (personnes atteintes) à ceux dans leur milieu de travail local qui ont reçu une responsabilité pastorale spécifique pour le personnel et les stagiaires.
Le principe sous-jacent est résumé dans les paroles d’exhortation de saint Paul aux Galates: «Portez les fardeaux les uns des autres et vous accomplirez ainsi la loi du Christ.» (Galates 6: 2)
Le Dr Andy Mott est un médecin généraliste britannique à la retraite avec trente ans d’expérience clinique et ancien sous-directeur général de la Brighton and Sussex Medical School.
Le Dr Richard Vincent est professeur émérite de cardiologie à la Brighton and Sussex Medical School, dont il était co-fondateur et vice-doyen.
Pour explorer l’épuisement professionnel et la compassion vécus dans le milieu de la santé, l’organisation caritative chrétienne britannique PRIME – Partnerships in International Medical Education – a présenté une série de séminaires intitulée Compassion without Burnout sur laquelle ce post de blog est basé.
Notant le travail pressurisé du personnel médical alors qu’il prodigue des soins à la fois avec une rigueur scientifique et une compassion personnelle, nous avons conçu le programme du séminaire pour son encouragement et son soutien basé sur des discussions en petits groupes. Dans ceux-ci, nous passons en revue les avantages et les défis de la prestation de soins de santé compatissants, les causes et les signes de l’épuisement professionnel et les moyens par lesquels l’épuisement professionnel peut être minimisé.
Nous utilisons une présentation PowerPoint pour donner des informations, mais nous mettons l’accent sur le partage et l’écoute pendant que nous explorons les défis liés au travail du groupe. À cette fin, nous fournissons un espace sûr pour la réflexion et des discussions fondées qui permettent le partage de commentaires honnêtes sur les expériences des participants. Jusqu’à présent, l’accueil de nos séminaires a été très positif et, il n’est pas rare que les participants souhaitent approfondir ces thèmes.
Si le sujet de Compassion without Burnout présente un intérêt permanent, veuillez consulter notre webinaire enregistré avec l’ICMDA le 26 juillet 2020. Pour plus d’informations sur ce programme, ou plus généralement sur le travail de PRIME, veuillez cliquer ici ou nous envoyer un courriel.
]]>Pero quizás, en la mente de muchos de nosotros estén las dos preguntas siguientes:
Primero, ¿qué se puede hacer para ayudar a las personas en las circunstancias más difíciles, especialmente en los núcleos urbanos pobres, las barriadas y los campamentos de refugiados y desplazados internos?
Segundo, ¿cómo pueden brindar la iglesia, los líderes cristianos y las congregaciones un liderazgo sabio, colaborativo y compasivo basado en la verdad?

Para aquellos de nosotros que vivimos en países y entornos de mayores ingresos, no es tan difícil seguir las reglas bien conocidas: mantenerse separados cada uno del otro al menos dos metros de distancia, lavarse las manos frecuentemente con agua y jabón, y quedarse en casa si es posible.
Pero como ya sabemos muchos de nosotros, y como podemos imaginar todos, es completamente diferente para los mil millones de personas que viven en barriadas o campamentos de reasentamiento. Esta es la situación de una de cada ocho personas de la población mundial. Además, el 5% de la población mundial que vive en comunidades indígenas está en grave peligro (por ejemplo, en Perú, Brasil y Bolivia).
Aquí, hay algunas sugerencias de la amplia variedad de personas con las que nos encontramos en la Red Arukah : de diferentes países; y de pacientes y contactos, a quienes algunos de nosotros vemos en nuestro trabajo diario.
Me encantó ver este consejo, resumido de la Escuela de Higiene y Medicina Tropical de Londres. Estamos tratando de adoptar este mismo enfoque en la Red Arukah:
Se encuentran varios miembros de ICMDA en una situación ideal para alentar tales iniciativas, y dar consejos cuando sea necesario.
Cuando el gobierno no brinde adecuadamente tales estructuras de liderazgo, la sociedad civil, incluidas las comunidades de fe y eclesiásticas, pueden ayudar a establecer o fortalecer estructuras ya operativas: a nivel de barrio, comunidad o subdistrito, e idealmente con el apoyo de profesionales de la salud. Esto puede permitir dos enfoques valiosos (ver abajo), que pueden salvar vidas, siempre que ya existen algunas estructuras comunitarias.
1. Establecimiento o aceleración del seguimiento, rastreo y aislamiento del Covid-19.
Estos procesos son esenciales para prevenir la propagación del virus. Cuando las pruebas no están disponibles, se puede utilizar un “enfoque sindrómico”: en otras palabras, identificar a aquellos con síntomas probables, de modo que el rastreo y el aislamiento puedan continuar.
2. Protección de personas vulnerables
A veces conocidas como “zonas verdes”, estas son áreas a nivel familiar, de barrio o comunidad, donde las personas con mayor riesgo pueden ser “protegidas” de los riesgos de ser infectadas por otras personas: de las que puedan ser infectadas sin siquiera saberlo. La evidencia muestra que esto se hace de manera más efectiva mediante el “blindaje institucional”, en otras palabras, utilizando un “área neutral” donde las personas vulnerables pueden venir, en lugar de aislarse en los hogares, donde a menudo los riesgos son mayores. Por supuesto, esto debe hacerse con el acuerdo y el apoyo de la comunidad, y de una manera compasiva e inclusiva. Las congregaciones cristianas pueden estar bien ubicadas para liderar el proceso. No siempre es fácil, pero resulta que sí es posible en algunas áreas, como lo muestra este informe de la Escuela de Higiene y Medicina Tropical de Londres: Guide for the prevention of COVID-19 infections among high-risk individuals in camps and camp-like settings. (En español): Guía para la prevención de infecciones por COVID-19 entre individuos de alto riesgo en campamentos y entornos similares.
Uno puede usar pósteres y grupos comunitarios de WhatsApp, la radio y todos los demás medios, para asegurarse de que los miembros de la comunidad tengan información de salud precisa. Lo ideal es que esta información sea de origen gubernamental o aprobada por el gobierno, para evitar confusiones: pero debe basarse en la ciencia.
La difusión frecuente de información correcta contribuye a disipar gradualmente los rumores y teorías de conspiración falsos y, a veces, mortales. Estos rumores surgen rápidamente, cuando se apodera el miedo de un nuevo peligro. Estoy seguro de que todos ya conocemos las noticias falsas que son comunes en nuestra comunidad. Este artículo es útil.
Debemos estar seguros de que nuestra información es precisa, fácil de entender y usar, y que está escrita acorde a la cultura y al idioma. Para ayudar a reforzar el mensaje, uno puede aprovechar lo siguiente: los videos, las imágenes, las historias, y citas de modelos respetados por la comunidad.
Una vez más, la iglesia puede ayudar aquí: siempre que proporcione información veraz, respaldada por el cuidado compasivo de los miembros de la comunidad. Un cuidado basado en la necesidad, y no en el credo.
Es importante descubrir de las comunidades locales los problemas y temores actuales que los enfrentan. Muchos dicen que el mayor problema no es COVID en sí, sino los efectos del encierro: la falta de alimentos, el aumento de la pobreza, la brutalidad policial y las dificultades de tener que vivir juntos en espacios confinados.
Las comunidades están haciendo cosas increíbles. A continuación, presentamos algunos ejemplos solamente:
En el proyecto ASHA, Delhi, que trabaja en más de cuarenta asentamientos marginales, los trabajadores de salud comunitarios y otros han estado visitando hogares, para asegurarse de que las personas tengan suficiente comida y dinero para sobrevivir. En respuesta a las solicitudes también, están proporcionando paquetes de higiene menstrual para niñas adolescentes.
En Ruanda, un grupo de Arukah identificó a 40 familias más necesitadas, y proporcionó frijoles, harina de maíz, arroz y jabón.
Muchas comunidades están alentando a las familias a celebrar las cosas buenas juntas, por ejemplo, usando música, humor y la maravilla de la naturaleza.
Las iglesias están transmitiendo servicios, que a menudo llegan a más personas de las que asistirían a un servicio religioso. Esta es una gran oportunidad para que los líderes de la iglesia u otras personas en sus congregaciones, como parte del servicio, agreguen valiosos consejos de salud y orientación sobre la salud mental.
En circunstancias donde es imposible el distanciamiento social, muchos proyectos están trabajando duro para asegurarse de que las familias, los vecinos y los miembros de la comunidad tengan mascarillas y jabón, y que sepan cómo usar ambas cosas.
Mostrar amabilidad especial y apoyo creativo a las personas con discapacidad y otras vulnerabilidades.
En un área de Kenia, las mujeres han estado cocinando comidas y dándolas a los agentes de policía, ya que reconocen que tienen hambre de tantas horas en las calles. En las zonas de Kericho y otras partes del país, los grupos tribales están dejando de lado sus diferencias para apoyarse mutuamente y creando así nuevos modelos de amistad.
Los de diferentes religiones están trabajando juntos con éxito en la búsqueda de interés común, como se hizo tan exitosamente en Sierra Leona en el momento del Ébola.
En Jamkhed, Maharashtra, India, un programa de salud rural ha tratado a casi 150 personas, infectados de COVID-19 y en cuarentena, y mientras tanto se sirven 5.600 comidas calientes gratuitas.
Dado que los líderes espirituales a menudo son los más escuchados y respetados, debemos brindar información fácil de entender, para que puedan ayudar a sus congregaciones a comprender el proceso.
Los líderes religiosos pueden asumir un papel de liderazgo en todas las ideas ya descritas. Una cosa es importante: necesitan ser guiados hábilmente hacia el espectro más basado en la verdad, y menos extremo, de sus enseñanzas religiosas. Esto es especialmente relevante para cristianos y musulmanes, quienes por defecto dicen que Dios y la oración serán suficientes para prevenir o curar el COVID.
Esta es una oportunidad única para que los líderes espirituales en general, y los líderes y congregaciones de iglesias en particular, modelen y lideren con respuestas compasivas, colaborativas y científicas.
Algunas de las mayores tensiones familiares ocurren durante el autoaislamiento. Las heridas y los agravios pasados pueden salir a la superficie y agravar enormemente la enfermedad mental, el abuso o incluso la violencia. El don del perdón, mejor aún el del perdón mutuo, pueden ser asombrosos. Cuando un líder familiar o un miembro respetado de la familia sugiere que todos acepten a perdonar los agravios pasados, sigue entonces la sensación de absolución de todo lo que ocurrió en el pasado.
Explicar el perdón y la absolución puede ser difícil, y uno tiene que hacerlo de manera auténtica. Pero si uno lo hace con amabilidad y sensibilidad, en la presencia de Dios y con una oración breve y gentil, el proceso de perdonar puede traer nuevas bendiciones y paz a la familia.
Ted Lankester es director de la Red Arukah
]]>Но, возможно, в голове у многих из нас будут эти две мысли.
Во-первых, что можно сделать, чтобы помочь тем, кто находится в наиболее сложных условиях, особенно в бедных городских поселениях, трущобах, лагерях для беженцев?
Во-вторых, как могут христианские лидеры, церковь и общины обеспечить мудрое, совместное и сострадательное руководство, основанное на истине?

Для тех из нас, кто живет в странах с более высокими уровнями дохода и условий, не так сложно следовать хорошо известным правилам: держаться на расстоянии не менее двух метров друг от друга, часто мыть руки с мылом и водой и, если возможно, оставаться дома.
Но, как многие из нас знают и могут себе представить, для одного миллиарда людей, живущих в трущобах или лагерях для переселенцев, все совершенно иначе. Таковыми являются один человек из восьми в мире. Кроме того, 5% населения мира, живущего в общинах коренных народов, сталкиваются с весьма высокими рисками (например, в Перу, Бразилии и Боливии).
Вот несколько рекомендаций от самых разных людей, с которыми мы в Arukah Network сталкиваемся в нашей повседневной работе.
Я был рад увидеть этот обобщенный совет Лондонской школы Гигиены и Тропической Медицины, который является именно тем подходом, которому мы пытаемся следовать в Arukah Network:
Некоторые члены ICMDA будут с радостью поощрять такие модели и давать советы, когда это необходимо.
Там, где правительство не обеспечивает этого должным образом, гражданское общество, включая религиозные и церковные группы, может помогать в создании или укреплении функционирующих структур на уровне районов, общин, в идеале при поддержке со стороны медицинских работников. Это может привести к двум ценным развитиям событий, приведенным ниже, которые могут спасти жизни, при условии, что некоторые общественные структуры в значительной степени понимают это и оказывают поддержку.
1. Формирование или ускорение отслеживания и изоляции людей
Это важно для предотвращения распространения вируса. Там, где тестирование недоступно, вместо него можно использовать «синдромный подход», другими словами, выявлять тех, у кого вероятные симптомы, чтобы можно было продолжать отслеживать и изолировать больных.
2. Защита уязвимых людей
Существуют так называемые «зеленые зоны», где семьи, районы или сообщества, которые подвергаются наибольшему риску, могут быть защищены от возможности заражения другими людьми, которые могут быть заразными, даже не подозревая об этом. Факты свидетельствуют о том, что это наиболее эффективно достигается за счет «организованной защиты», другими словами, путем использования «нейтральной зоны», куда могут приходить уязвимые люди, а не само изолироваться в домах, где риски заражения зачастую выше. Конечно, это должно быть сделано с согласия членов, а также при их поддержке, сострадании и понимании ситуации. Христианские общины могут руководить этим процессом. Это не всегда легко, но в некоторых областях это осуществимо, как показано в этом отчете Лондонской школы Гигиены и Тропической Медицины: Руководство по профилактике инфекций COVID-19 среди лиц повышенного риска в лагерях и подобных лагерям условиях
Используйте группы WhatsApp, радио и другие средства, чтобы убедиться, что у членов общества имеется точная медицинская информация. В идеале она должен быть получена от правительства или одобрена им, чтобы избежать путаницы, а также должна быть научно обоснованной.
Часто предоставление правильной информации постепенно рассеивает фальшивые, а иногда и опасные слухи, и теории заговора, которые быстро возникают, когда появляется страх перед новой опасностью. Я уверен, что все мы знаем о поддельных новостях, которые распространены в нашем обществе.
Мы должны быть уверены, что наша информация является точной, простой для понимания и использования, а также написана с учетом культурных и языковых особенностей. Видео, изображения, истории и цитаты могут помочь усилить влияние информации на общество.
Опять же, здесь может помочь церковь, если она дает правдивую информацию, подкрепленную состраданием и заботой о людях, также основанную на потребностях, а не на вероучении.
Узнайте от людей, каковы текущие проблемы и страхи, с которыми они сталкиваются. Многие говорят, что самой большой проблемой является не сам COVID-19, а его последствия, такие как нехватка продовольствия, рост бедности, жестокость полиции и трудности, связанные с необходимостью жить вместе в ограниченном пространстве.
Сообщества совершают удивительные дела. Вот несколько примеров:
Поскольку религиозными лидерами часто являются те, кого больше всего слушают и уважают, мы должны предоставить легкую для восприятия информацию, чтобы они могли донести ее до своих членов.
Религиозные лидеры могут играть ведущую роль во всех вышеописанных идеях. Единственное важно. Их нужно умело направлять в более правдивый, менее экстремальный спектр религиозных учений. Это особенно актуально для христиан и мусульман, которые по умолчанию говорят, что одного Бога и молитвы будет достаточно, чтобы предотвратить или вылечить COVID-19.
Это уникальная возможность для религиозных лидеров в целом создавать и руководить сострадательными, совместными и научными ответными мерами.
Одни из самых больших семейных ссор возникают во время самоизоляции. Прошлые обиды и ошибки могут всплыть на поверхность и значительно усугубить психическое здоровье, спровоцировать семейное насилие. Дар прощения, а еще лучше взаимопрощения, может быть удивительным. Лидер семьи или уважаемый член семьи предлагает всем простить прошлые обиды и освободить себя от того, что произошло в прошлом.
Объяснить это может быть сложно и факты должны быть достоверны. Но если это делается с добротой и чуткостью, в присутствии Бога и с короткой, нежной молитвой, это может принести новые благословения и мир в семью.
Тед Ланкестер – директор Arukah Network
Перевод Др. Ирины Гуща
Беларусь.
Mais peut-être que beaucoup d’entre nous penseront à ces deux choses.
Premièrement, que peut-on faire pour aider ceux qui se trouvent dans les circonstances les plus difficiles, en particulier dans les établissements urbains pauvres, les bidonvilles, les camps de déplacés et de réfugiés?
Deuxièmement, comment l’Église, les dirigeants chrétiens et les congrégations peuvent-ils fournir un leadership sage, collaboratif et compatissant fondé sur la vérité?

Pour ceux d’entre nous qui vivent dans des pays et des milieux à revenu élevé, il n’est pas si difficile de suivre les règles bien connues : garder au moins deux mètres d’intervalle, se laver fréquemment les mains avec du savon et de l’eau et rester à l’intérieur si possible.
Mais comme beaucoup d’entre nous le savent et que tous peuvent l’imaginer, c’est tout à fait différent pour le milliard de personnes qui vivent dans des bidonvilles ou des camps de réinstallation. C’est une personne sur huit dans le monde. En outre, 5 % des personnes vivant dans des communautés autochtones présentent des risques très élevés (par exemple au Pérou, au Brésil et en Bolivie).
Voici quelques suggestions de la grande variété de personnes que nous trouvons dans le réseau Arukah de différents pays, et des patients et des contacts que certains d’entre nous voient dans notre travail quotidien.
J’ai été ravi de voir ce conseil résumé de l’Ecole d’hygiène et de médécine tropicale de Londres (London School of Hygiene and Tropical Medicine) qui est juste l’approche que nous essayons de suivre dans Arukah Network:
Certains membres de l’ICMDA seront dans une situation idéale pour encourager de tels modèles et donner des conseils au besoin.
Lorsque le gouvernement ne fournit pas cela de manière adéquate, la société civile, y compris les groupes Confessionnels et religieux, peut aider à mettre en place ou à renforcer des structures fonctionnelles au niveau des quartiers, des collectivités ou des sous-districts, idéalement avec le soutien des professionnels de la santé. Cela peut permettre deux approches précieuses, ci-dessous, qui peuvent sauver des vies, à condition que certaines structures communautaires soient largement en place.
1. Configuration ou accélération du suivi, du traçage et de l’isolement
Ceci est essentiel pour prévenir la propagation. Lorsque le test n’est pas disponible, une « approche syndromique » peut être utilisée à la place, c’est-à-dire identifier les personnes présentant des symptômes probables, de sorte que la tracage et l’isolement puissent toujours se poursuivre.
2. Protéger les personnes vulnérables
Parfois appelées « zones vertes », ce sont des zones au niveau familial, de quartier ou communautaire où les personnes les plus à risque peuvent être « protégées » des risques d’être infectées par d’autres personnes qui peuvent être déjà contaminées sans même le savoir. Les preuves montrent que cela se fait plus efficacement par le « bouclier institutionnel », c’est-à-dire en utilisant une « zone neutre » où les personnes vulnérables peuvent venir plutôt que de s’isoler dans les foyers, où les risques sont souvent plus grands. Bien sûr, cela doit se faire avec l’accord et le soutien de la communauté, et d’une manière compatissante et inclusive. Les congrégations chrétiennes peuvent être bien placées pour diriger le processus. Ce n’est pas toujours facile, mais il s’avère possible dans certains domaines comme le montre ce rapport de l’Ecole d’hygiène et de médécine tropicale de Londres (London School of Hygiene and Tropical Medicine): Guidance for the prevention of COVID-19 infections among high-risk individuals in camps and camp-like settings.
Utilisez des affiches et des groupes WhatsApp communautaires, de la radio et tous les autres moyens pour vous assurer que les membres de la communauté disposent d’informations précises sur la santé. Idéalement, il doit être fourni par le gouvernement ou approuvé par le gouvernement pour éviter toute confusion, mais doit être basé sur la science.
Souvent, fournir des informations correctes dissipe progressivement les fausses rumeurs et les théories du complot, parfois mortelles, qui surgissent rapidement lorsque la peur d’un nouveau danger s’installe. Je suis sûr que nous serons tous au courant des fausses nouvelles qui sont courantes dans notre communauté. Cet article est utile.
Nous devons nous assurer que nos informations sont exactes, faciles à comprendre et à utiliser, et écrites de façon culturelle et linguistique. Des vidéos, des images, des histoires et des citations de modèles respectés peuvent aider à renforcer le message
Encore une fois, l’Église peut aider ici à fournir qu’elle donne des informations véridiques étayées par des soins compatissants de ceux dans la communauté, basé sur le besoin de croyance.
Découvrez auprès des communautés locales les problèmes actuels et les craintes auxquels les gens sont confrontés. Beaucoup disent que le plus gros problème n’est pas le COVID lui-même, mais les effets du confinement, comme le manque de nourriture, la pauvreté accrue, la brutalité policière et les difficultés à vivre ensemble dans des espaces confinés.
Les communautés font des choses incroyables. Voici quelques exemples :
Dans le projet ASHA, Delhi, qui travaille dans plus de quarante bidonvilles, des agents de santé communautaires et d’autres personnes ont visité des maisons pour s’assurer que les gens ont suffisamment de nourriture et d’argent pour survivre; et en réponse aux demandes fournissent également des trousses d’hygiène menstruelle pour les adolescentes.
Au Rwanda, un groupe d’Arukah a identifié 40 familles les plus démunies et a fourni des haricots, de la farine de maïs, du riz et du savon.
De nombreuses communautés encouragent les familles à célébrer ensemble les bonnes choses, par exemple en utilisant la musique, l’humour et l’émerveillement de la nature.
Les églises font des cultes en ligne qui atteignent souvent plus de personnes que ne le ferait un service religieux. C’est une excellente occasion pour les dirigeants d’église ou d’autres membres de leurs congrégations d’ajouter de précieux conseils sur la santé et des conseils sur la santé mentale dans le cadre du service.
De nombreux projets où toute forme de distanciation est impossible, travaillent dur pour s’assurer que les familles, les voisins et les membres de la communauté ont des masques et du savon et savent comment utiliser les deux.
Faire preuve d’une gentillesse et d’un soutien créatif particuliers aux personnes handicapées et autres vulnérabilités.
Dans une région du Kenya, les femmes cuisinent des repas et les donnent aux policiers parce qu’ils reconnaissent qu’ils ont faim depuis de si longues heures dans les rues. Dans les régions de Kericho et dans d’autres régions du pays, les groupes tribaux mettent de côté leurs différences pour se soutenir mutuellement et créent ainsi de nouveaux modèles d’amitié.
Ceux de différentes religions travaillent ensemble avec succès car ils trouvent des domaines d’entente, comme cela a été fait avec succès en Sierra Leone à l’époque d’Ebola.
À Jamkhed, dans le Maharashtra, en Inde, un programme de santé rurale a traité près de 150 cas de COVID-19 et mis en quarantaine des personnes, et au cours de ce processus, servit 5 600 repas chauds gratuits.
Étant donné que les chefs religieux sont souvent ceux qui sont les plus écoutés et respectés, nous devons fournir des informations faciles à saisir afin qu’ils puissent aider leurs congrégations à comprendre.
Les leaders de la foi peuvent jouer un rôle de premier plan dans toutes les idées déjà décrites. Une chose est importante. Ils doivent être habilement guidés dans le spectre le plus fondé et le moins extrême de leurs enseignements religieux. Cela est particulièrement pertinent pour les chrétiens et les musulmans, qui tous deux ne disent pas que Dieu et la prière suffiront à eux seuls à prévenir ou à guérir le COVID.
Il s’agit d’une occasion unique pour les chefs religieux en général, et les dirigeants d’église et les congrégations en particulier, de modéliser et de diriger des réponses compatissantes, collaboratives et scientifiques.
Certaines des plus grandes tensions familiales se produisent pendant l’auto-confinement. Les blessures et les griefs du passé peuvent refaire surface et aggraver considérablement les problèmes de santé mentale, les mauvais traitements ou même la violence. Le don du pardon, mieux encore le pardon mutuel, peut être étonnant. Un chef de famille ou un membre de la famille respecté suggère que tous acceptent de pardonner les griefs du passé et donnent un sentiment d’absolution par rapport à ce qui s’est produit par le passé.
Expliquer cela peut être difficile et doit être authentique. Mais si cela se fait avec gentillesse et sensibilité, en présence de Dieu et avec une prière courte et douce, cela peut apporter de nouvelles bénédictions et la paix à la famille.
Ted Lankester est directeur du réseau Arukah
]]>As I write, we will be living in a wide variety of situations. We may be at the front line, exhausted and overworked. Or, at the other end of the spectrum, being in lockdown and enjoying more time with our families. And of course, many situations in between.
But perhaps on the mind of many of us will be these two things.
First, what can be done to help those in the most difficult circumstances especially in poor urban settlements, slums, and IDP and refugee camps?
Second, how can the church, Christian leaders and congregations provide wise, collaborative and compassionate leadership based on truth?

For those of us living in higher-income countries and settings, it’s not that difficult to follow the well-known rules: keep at least two metres apart, frequently wash hands with soap and water and stay inside if possible.
But as many of us know and all can imagine, it’s entirely different for the one billion people who live in slums or resettlement camps. That’s one person in eight in the world. And in addition, 5% of the world who live in indigenous communities have very high risks (eg in Peru, Brazil and Bolivia).
Here are a few suggestions from the wide variety of people we come across in Arukah Network from different countries, and from patients and contacts who some of us see in our daily work.
I was delighted to see this summarised advice from the London School of Hygiene and Tropical Medicine which is just the approach we are trying to follow in Arukah Network:
Some ICMDA members will be in an ideal situation to encourage such models and give advice where needed.
Where the government is not adequately providing this, civil society including faith and church-based groups can help set up or strengthen functioning structures at neighbourhood, community or sub-district level, ideally with support from health care professionals. This can enable two valuable approaches, below, which can save lives, providing some community structures are largely in place.
1. Setting up or speeding up track, trace and isolate
This is essential to prevent spread. Where testing is not available a ‘syndromic approach’ can be used instead, in other words identifying those with likely symptoms, so that trace and isolate can still proceed.
2. Shield vulnerable people
Sometimes known as ‘green zones’, these are areas at a family, neighbourhood or community level where those most at risk can be ‘shielded’ from the risks of being infected by others who may be infectious without even knowing it. Evidence shows this is more effectively done by ‘institutional shielding’ in other words by using a ‘neutral area’ where vulnerable people can come rather than self-isolating in homes, where risks are often greater. Of course, this must be done with community agreement and support, and in a compassionate and inclusive way. Christian congregations can be well placed to lead the process. It’s not always easy but it’s proving possible in some areas as shown by this report from the London School of Hygiene and Tropical Medicine: Guidance for the prevention of COVID-19 infections among high-risk individuals in camps and camp-like settings.
Use posters and community WhatsApp groups, radio and all other means to make sure community members have accurate health information. It ideally needs to be government-sourced or government-approved to avoid confusion but must be based on science.
Frequently providing correct information gradually dispels fake and sometimes deadly rumours and conspiracy theories, which quickly spring up when fear from a new danger takes hold. I’m sure all of us will be aware of fake news that is common in our community. This article is helpful.
We must be sure that our information is accurate, easy to understand and use, and written in cultural and language-specific ways. Videos, images, stories and quotes from respected role models can help to reinforce the message
Again, the church can help here providing it is giving truthful information backed up by compassionate care of those in the community, based on need not creed.
Discover from local communities what current issues and fears people are facing. Many are saying that the biggest problem is not COVID itself, but the effects of lockdown, such as lack of food, increased poverty, police brutality and the difficulties of needing to live together in confined spaces.
Communities are doing amazing things. Here are just a few examples:
In ASHA project, Delhi, which works in more than forty slum settlements, community health workers and others have been visiting homes to ensure that people have sufficient food and money to survive; and in response to requests are also providing menstrual hygiene packs for adolescent girls.
In Rwanda, an Arukah Cluster has identified 40 families most in need and have provided beans, maize flour, rice and soap.
Many communities are encouraging families to celebrate the good things together, for example using music, humour and the wonder of nature.
Churches are streaming services which often reach more people than would attend a church service. This is a great opportunity for church leaders or others in their congregations to add valuable health advice and mental health guidance as part of the service.
Many projects where any form of distancing is impossible, are working hard to make sure families, neighbours and members of the community have masks and soap and know how to use both.
Showing special kindness and creative support to those with disabilities and other vulnerability.
In one area of Kenya, women have been cooking meals and giving them to police officers as they recognise they become hungry from such long hours on the streets. In the Kericho areas and other parts of the country, tribal groups are putting aside their differences to support each other and thereby creating new models of friendship.
Those from different religions are working together successfully as they find areas of common ground, as was done so successfully in Sierra Leone at the time of Ebola.
In Jamkhed, Maharashtra, India, a rural health programme has treated almost 150 COVID-19 and quarantined individuals, and in the process serving 5,600 free hot meals.
With faith leaders often being those most listened to and respected, we must provide easy-to-grasp information so they can help their congregations to understand.
Faith leaders can take a leading role in all the ideas already described. One thing is important. They need to be skilfully guided into the more truth- based, less extreme spectrum of their religious teachings. This is especially relevant for Christians and Muslims, both of whom default to say that God and prayer alone will be enough to prevent or cure COVID.
This is a unique opportunity for faith leaders in general, and church leaders and congregations in particular, to model and lead compassionate, collaborative and scientific responses.
Some of the biggest family tensions occur during self-isolation. Past hurts and grievances can come to the surface and add greatly to mental ill-health, abuse or even violence. The gift of forgiveness, better still mutual forgiveness, can be amazing. A family leader or respected family member suggests that all agree to forgive past grievances and give a sense of absolution from what has occurred in the past.
Explaining this can be difficult and needs to be authentic. But if it is done with kindness and sensitivity, in the presence of God, and with a short, gentle prayer, it can bring new blessings and peace to the family.
Ted Lankester is Director of the Arukah Network
]]>Jesus está chegando ao ápice de sua vida. Todos os seus atos de serviço estavam prestes a ser culminados e somados em seu sacrifício voluntário na cruz. E tudo isso motivado pelo amor ágape – o amor que dá.

‘Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (telos)’. O exemplo supremo do amor que sacrifica a si mesmo está prestes a ser demonstrado agora, no ato de lavar os pés, e na cruz que está por vir. Este é um momento sagrado. Jesus está passando as últimas horas com seus poucos escolhidos, e o maligno também está na sala – no coração de Judas Iscariotes.
A ênfase de João está no conhecimento total e inabalável de Jesus – tanto de si mesmo como de seu ser, de seu status, de seu chamado e deste momento – ‘a hora havia chegado‘.
Há quatro coisas que Jesus conhece inteiramente e de forma inabalável no âmago de seu ser.
Elas contemplam de onde Ele veio. Na bem-aventurança da Santíssima Trindade; sua posição suprema no cosmos como Senhor dos Senhores; a relevância desta hora – o ponto crucial – o pivô de toda a história da salvação; e seu destino final na mão direita do Pai.
É isso que Jesus sabe, e é isso que lhe dá total segurança em quem Ele é. Com tal poder e status, podemos esperar que Ele derrote o diabo que está na sala com Ele em uma explosão avassaladora de luz e poder espiritual. “Vi o maligno cair do céu como um relâmpago”. Ele poderia ter surpreendido Judas num instante com uma rajada de ira divina.
Em vez disso, Ele se levanta da mesa e se inclina para o chão. E Ele lava os pés dos seus discípulos.
Lavar os pés era a ocupação mais servil, humilde e desprezada, reservada para os mais baixos dos mais baixos. As ruas de Jerusalém eram sujas e asquerosas – havia imundíce, doenças, urina e excremento nas estradas. Não é preciso muita imaginação para ver por que lavar os pés era uma tarefa imunda e humilhante. Era particularmente inaceitável para uma pessoa religiosa porque levava à impureza ritual, e aquele que lavasse os pés seria proibido de participar de todas as atividades religiosas.
Alguns judeus nobres insistiam que os escravos judeus não deveriam ser obrigados a lavar os pés dos outros. Em essência, esse trabalho deveria ser reservado para escravos gentios – ou, alternativamente, para mulheres e crianças que não contavam. E, é claro, podemos ver que ser forçado por outros a assumir esse papel – ser compelido por força a lavar os pés fedorentos de outros – é profundamente abusivo, prejudicial e humilhante.
A literatura judaica registra que, quando o rabino Ismael, certo dia, voltou da sinagoga para casa, sua mãe desejava lavar os seus pés. Ele recusou, alegando que a tarefa era muito humilhante. Aparentemente, não há nenhum caso registrado na literatura judaica, grega ou romana de um superior lavando os pés de um inferior.
Portanto, o choque dos discípulos na ação de Jesus é compreensível. Como pode o Senhor e Mestre deles fazer uma coisa dessas? Ele perdeu a cabeça? Ou isso significa que talvez Jesus não seja quem Ele afirma ser?
O ponto crítico é que João justapõe a segurança total e inabalável de Jesus em seu autoconhecimento com sua ação no serviço humilde e humilhante. A profunda percepção psicológica de João (e a inspiração de suas palavras pelo Espírito) é que é exatamente por causa da total segurança de Jesus em seu status que Ele é capaz de se rebaixar dessa maneira impressionante.
É um exemplo da profunda doutrina cristã da kenosis. Aquele que, embora fosse da própria natureza de Deus, não considerou a igualdade com Deus algo com o qual se apegar, mas se esvaziou (kenosis) – fez de si mesmo nada – e assumiu a forma de servo. Ele se humilhou tornando-se obediente ao ponto de morte, até a morte na cruz (Filipenses 2).
Jesus tira sua roupa exterior (talvez simbolizando despojar-se da segurança externa), pega a toalha do servo e a coloca na cintura. Ele voluntariamente adota os trajes e a aparência do escravo doméstico mais humilde. Ele derrama água em uma bacia, ajoelha-se e começa a tarefa imunda.
A doutrina da kenosis não significa que Jesus troca a forma de Deus pela forma de um servo. Isso significa que Jesus, voluntária e conscientemente, se rebaixa a fim de que a verdadeira natureza de sua divindade seja revelada inconfundivelmente através da fragilidade humana e do sacrifício humilde. Seu status não é perdido pelo ato de lavar os pés – ele é poderosamente revelado, desvendado e conhecido.
Aqui está um experimento reflexivo. Imagine-se incontinente, deitado em fezes, urina e vômito, sendo gentil e ternamente lavado e limpo pelo próprio Cristo. Essa é a verdadeira natureza de Deus revelada na face de Jesus Cristo.
Penso que é profundamente significativo o fato de que Jesus lava os pés de Judas Iscariotes também, aquele habitado pelo maligno. Ele não se limita apenas a pessoas boas, pessoas gratas e aos escolhidos. Ele lava os pés dos desagradáveis, dos hostis, dos perversos, dos abusivos, dos maliciosos, que estavam dedicados a destruí-Lo. Ele lava os pés do próprio maligno! Que poder majestoso e misterioso. Como Ele pode fazer isto? Isso vem de sua total segurança inabalável em quem Ele é.
Tendo realizado essa ação dramática e chocante, Jesus a explica. Primeiro, há a ação divina e, depois, vem a explicação.
Em João 13 a partir do verso 12 (NVI): “Vocês entendem o que lhes fiz? Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. Digo-lhes verdadeiramente que nenhum escravo é maior do que o seu senhor, como também nenhum mensageiro é maior do que aquele que o enviou.”
Jesus reivindica o título de Senhor, aquele que tem total autoridade sobre seus discípulos, e Mestre, aquele que instrui, guia e modela.
“Para que vocês façam como lhes fiz”. Mas, assim como o amor-próprio e o auto-rebaixamento voluntário de Cristo estão enraizados em sua segurança em seu status supremo, da mesma maneira, não podemos tomar o lugar mais baixo, a menos que estejamos enraizados e fundamentados no conhecimento e segurança de nosso próprio status.
Ser forçado por um poder externo a assumir o papel do mais baixo dos mais baixos, do escravo doméstico, é prejudicial, abusivo, destrutivo. Mas escolher voluntariamente o papel mais baixo, motivado pelo amor e na segurança de conhecer nosso status real, como filhas e filhos amados do Rei, é totalmente diferente. Essa é a profunda dignidade do serviço semelhante a Cristo.
Assim, a ação de Cristo é motivada por gratuito amor ágape , ‘não há compulsão no amor’. Não é coagido, manipulado, nem mesmo conduzido por um senso de dever, de “obrigação”. É totalmente gratuito e sem coerção.
E, embora não esteja registrado na passagem, sabemos de outras partes do Novo Testamentoem que a ação de Cristo foi motivada pela alegria. “pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha.”1 Foi alegria, borbulhante, inexprimível, alegria eterna que motivou Jesus a assumir o papel de escravo.
Do lado de fora, as ações de Cristo e as ações do escravo doméstico maltratado podem parecer indistinguíveis. Eles estão vestindo as mesmas roupas, rastejando no chão, cobertos de sujeira, consumidos pelo trabalho exaustivo. Mas o escravo doméstico é movido por força e necessidades externas, está consciente de seu status de mais baixo dos mais baixos, inferior da pilha, lixo humano e é danificado, diminuído e humilhado pelo processo.
O servo cristão é movido por um amor ágape, compaixão e alegria, consciente de seu status supremo como princesa ou príncipe amado e honrado da família real, e é enobrecido, edificado e realizado pela ação, emocionado por estar vivendo a vida, o amor e a presença de Jesus. Por fora, eles são indistinguíveis, mas por dentro, a experiência é totalmente diferente.
O exemplo de Jesus e sua descrição no Evangelho de João foi um pavio que acendeu uma explosão de cuidado no mundo antigo. Foi profundamente educativo como um modelo de serviço e cuidado cristão para os doentes, os infectados e os que estavam morrendo. E se tivermos ouvidos para ouvir, esse exemplo pode acender novas explosões hoje.
João justapõe a história de Jesus lavando os pés dos discípulos com outra lavagem de pés – mas desta vez é Jesus quem tem os pés lavados.
Em João 12, João enfatiza que esse incidente acontece apenas alguns dias antes de Jesus ser crucificado na época da Páscoa – a hora em que o Cordeiro sacrificado foi morto.
Maria, que já se sentou aos pés de Jesus, agora leva um litro de perfume caro – uma quantidade enorme equivalente a mais de 300 gramas – ajoelha-se aos pés de Jesus e unge seus pés (e provavelmente outras partes do corpo) com o precioso bálsamo. Tal é a quantidade do perfume que toda a casa é preenchida com a fragrância. E então, em um ato chocante e íntimo, ela solta seus cabelos, ajoelha-se aos pés dEle e os seca com ternura utilizando seus cabelos.
É uma cena estranha e maravilhosa de sacrifício extravagante e ternura íntima; é um ato sensual e escandaloso. Mulheres judias respeitáveis não soltavam os cabelos em companhia de homens – isso era algo para a intimidade e privacidade do quarto.
Maria está demonstrando seu amor e preocupação por Cristo por meio desse ato que abrange humildade e rebaixamento de si mesma, ternura e sacrifício voluntário extravagante pela pessoa de Cristo. Curiosamente, esse episódio vem antes do exemplo da lavagem dos pés em João 13. Maria não precisa ser ensinada sobre o lavar dos pés – ela faz isso instintivamente e generosamente.
A reação de Judas é a da moralidade criteriosa, pragmática e baseada em evidências. O bálsamo valia quase um ano de salário para um trabalhador camponês. Milhares de libras. Mas Jesus entende o coração de Maria e a defende. O significado de suas palavras é incerto, mas suspeito que Jesus viu que ela estava, na realidade, ungindo seu corpo para a sepultura. Os comentaristas apontaram que, devido à intensa fragrância e quantidade do perfume, o cheiro ainda estaria presente quando Jesus foi crucificado seis dias depois. Em outras palavras, enquanto Jesus estava pregado na cruz, Ele estava exalando a fragrância do ato sacrificial de Maria, a fragrância do amor sacrificial e caro.
A casa inteira foi cheia da fragrância do amor sacrificial e caro.
Os cuidadores cristãos têm sido frequentemente chamados ao amor que sacrifica a si mesmo, aos custos de abandonar a família, confortos, casamento, sono, saúde, doações sacrificiais, e até de sacrificar suas próprias vidas para cuidar dos outros. Portanto, tanto a medicina cristã quanto a enfermagem cristã podem nos chamar ao pagamento de um preço muito alto.
Observe que o sacrifício de Maria foi totalmente voluntário e não compelido. Foi um ato espontâneo de impressionante generosidade. Foi motivado pelo amor a Cristo.
Então, qual é o frasco fechado mais precioso e mais caro em nossas vidas, em nosso coração? Estamos preparados para sacrificá-lo por amor generoso e caro por Cristo? Nossa tendência natural é agarrar, nos apegar às coisas mais preciosas. Mas o caminho da frutificação é voluntariamente abrir nossa mão e liberar essas coisas preciosas que seguramos com tanta força.
“se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto.”2
Como o mártir do século XX, Jim Elliott, disse: “Ele não é bobo, que dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder.”
Estou muito consciente de que muito disso é teoria, e de que eu continuo a lutar para viver na realidade deste exemplo. Mas eu sei, no fundo do meu ser, que é o caminho da frutificação e o caminho da alegria. Estou certo de que Maria não lamentou o sacrifício daquele perfume. Tenho certeza que seus olhos estavam cheios de lágrimas de amor e alegria. Era para isso que o perfume servia, ungir o corpo de seu Senhor para a morte e encher a casa com a fragrância do amor.
Por John Wyatt3, professor emérito de pediatria neonatal da UCL e pesquisador sênior do Instituto Faraday de Ciência e Religião da Universidade de Cambridge.
Republicado com permissão dos CMF Blogs4.
Ouça John falando mais sobre este tópico em um recente podcast da 1st incision5 da CMF UK.
Ouça as histórias de médicos cristãos e enfermeiros que responderam a COVID-19 em nossa minissérie de podcasts vozes da linha de frente6.
Junte-se a nós às 19:00 (07 PM UTC) a cada dia para orar para os trabalhadores da linha de frente, pela nossa nação e pelo mundo enquanto lidamos com a pandemia de COVID-19 em #COVID1900Prayer 9
Tradução: Médicos de Cristo
1. Hebreus 12:2
2. João 12:24
3. https://johnwyatt.com/2018/01/08/about/
4. https://cmfblog.org.uk/2020/03/20/christianity-in-a-time-of-plague/
5. https://www.buzzsprout.com/437878/3056704-coronavirus-and-costly-love
6. https://www.cmf.org.uk/resources/covid-19-voices-from-the-frontline-podcast/
7. https://www.cmf.org.uk/resources/covid-19-prayer/
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