Portuguese – ICMDA Blogs https://blogs.icmda.net Comments on healthcare, christianity and world mission Mon, 11 Jan 2021 10:49:46 +0000 en-US hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://blogs.icmda.net/wp-content/uploads/2019/12/cropped-Square-Logo-white-background-32x32.jpg Portuguese – ICMDA Blogs https://blogs.icmda.net 32 32 FAQ: Vacinas contra o coronavírus – Perguntas mais frequentes https://blogs.icmda.net/2021/01/11/faq-vacinas-contra-o-coronavirus-perguntas-mais-frequentes/ https://blogs.icmda.net/2021/01/11/faq-vacinas-contra-o-coronavirus-perguntas-mais-frequentes/#comments Mon, 11 Jan 2021 09:28:53 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=948 [1] Tradução: Médicos de Cristo


Existe alguma possibilidade científica de que as vacinas Pfizer e Moderna mudem o DNA humano?

Não. Ambas as vacinas empregam moléculas chamadas RNA mensageiro que foram sintetizadas em laboratórios. Após a imunização, as moléculas são projetadas para entrar nas células dentro do corpo, onde fornecem as instruções moleculares para que essas células produzam a proteína spike (ou “de pico”) do coronavírus. Esta é então liberada na corrente sanguínea fazendo com que os mecanismos imunológicos naturais do corpo gerem anticorpos e células imunológicas contra a proteína spike. Como resultado, o indivíduo torna-se imune ao coronavírus. As próprias moléculas de RNA mensageiro sobrevivem no corpo apenas por algumas horas após a imunização e, em seguida, são destruídas por mecanismos celulares normais. Não há possibilidade científica ou biológica de que as moléculas de RNA mensageiro nas novas vacinas sejam capazes de alterar o DNA humano. Existe uma classe de vírus completamente diferente, chamada retrovírus, que carrega a capacidade de alterar o DNA humano, e a análise do código genético humano sugere que uma parte significativa de nosso DNA se originou em retrovírus antigos.

É verdade que as novas vacinas contra covid não passaram pelos procedimentos normais de protocolos de segurança?

Não. As novas vacinas contra o Covid-19 foram submetidas aos mesmos extensos testes e análises independentes aos quais todos os novos medicamentos devem ser submetidos nos países desenvolvidos. Todas as vacinas candidatas foram testadas em grandes estudos “duplo-cegos”[2], cuidadosamente planejados, que passaram por todas as fases de estudo até a fase 3. Tais estudos investigam a segurança e eficácia da vacina em comparação com um grupo que utiliza um placebo[3]. Os resultados dos estudos foram analisados ​​por um grande número de especialistas independentes e muitos dos dados foram disponibilizados publicamente para cientistas de todo o mundo. Em dezembro de 2020, época em que as vacinas Pfizer e Moderna foram aprovadas, dezenas de milhares de pessoas receberam ambas as vacinas sem quaisquer efeitos colaterais graves.

É verdade que o processo de desenvolvimento, teste e aprovação da vacina ocorreu muito mais rápido do que o normal, mas isso porque houve níveis extraordinários de esforço científico focado com cooperação internacional, financiamento maciço e interação sem precedentes entre especialistas. Desde que as campanhas de imunização em massa começaram, em dezembro de 2020, centenas de milhares de pessoas já receberam a vacina, e a análise detalhada dos possíveis efeitos colaterais continua. Embora nenhum medicamento biologicamente eficaz possa ser considerado totalmente seguro, os dados disponíveis indicam que as vacinas Pfizer e Moderna têm excelentes registros de segurança e, na verdade, são muito mais seguras do que muitos medicamentos de uso comum, como aspirina e ibuprofeno.  

Existe conluio oculto entre governos ocidentais e grandes empresas farmacêuticas para ocultar os efeitos adversos das vacinas?

Essa preocupação foi ampliada pela notícia recente de que o governo do Reino Unido concedeu à empresa farmacêutica Pfizer uma indenização legal protegendo-a de ações judiciais como resultado de quaisquer problemas com a vacina. Os profissionais do NHS[4] que fornecem a vacina bem como os fabricantes do medicamento também estão protegidos. É importante entender que a avaliação da segurança e eficácia de todos os novos medicamentos é realizada por um grande número de cientistas acadêmicos independentes e altamente experientes, que são independentes do controle governamental e do pagamento por empresas farmacêuticas. Todos os cientistas envolvidos estão cientes de que sua integridade e reputação internacional dependem totalmente de serem vistos como honestos, verdadeiros e imparciais. Se subsequentemente se tornasse evidente que houve alguma desonestidade ou engano, suas carreiras e reputações seriam destruídas. Com base na minha experiência pessoal de conduzir um ensaio clínico randomizado [5] supervisionado sob os mesmos regulamentos do Reino Unido e dos Estados Unidos, estou confiante de que as informações que foram disponibilizadas publicamente sobre a segurança das vacinas são as mais honestas e precisas possíveis.

A motivação para indenizar as empresas farmacêuticas é que literalmente bilhões de doses devem ser administradas nos próximos meses. Se efeitos colaterais extremamente raros (mas graves) surgirem, os custos potenciais de litígio levariam as empresas à falência, apesar de sua imensa capitalização. Para proteger os interesses de seus acionistas, as empresas teriam o dever de suspender toda a vacinação no mundo (possivelmente por meses ou anos) assim que o primeiro efeito colateral grave fosse anunciado. Para evitar esta possibilidade, o Governo do Reino Unido assumiu a responsabilidade legal. Portanto, as proteções legais permanecem para os participantes, mas é o governo (ou seja, os contribuintes) quem terá de pagar. Na verdade, de acordo com a Vaccine Damages Payments Act (Lei de Pagamentos de Danos à Vacina no Reino Unido), haverá um pagamento único de £ 120.000 para qualquer pessoa que for permanentemente incapacitada ou prejudicada como resultado da vacina. Acordos semelhantes foram feitos para vacinas anteriores, como a vacina contra a coqueluche (tosse comprida).

É verdade que as novas vacinas contra o covid contêm tecidos de um feto abortado?

Não. As vacinas Pfizer e Moderna empregam moléculas de RNA mensageiro que foram sintetizadas artificialmente em laboratórios. No entanto, como parte do processo de desenvolvimento da vacina, as vacinas foram testadas usando uma linha celular chamada ‘imortal’ com nome de HEK-293. Esta linha celular consiste em células em multiplicação contínua, que se multiplicam há mais de 40 anos. As células originais foram obtidas de um feto (bebê em gestação) que passou por um aborto legal por outros motivos na Holanda em 1973. Nenhum outro aborto foi realizado como parte do processo de desenvolvimento da vacina, e as vacinas não contêm qualquer tecido ou parte fetal. O uso da linha celular HEK-293 levanta a questão se a vacina pode ser considerada ‘moralmente contaminada’. Esta é uma questão complexa que discuti em um artigo anterior no Blog do ICMDA. No momento, não há nenhuma vacina contra o coronavírus disponível que não tenha sido desenvolvida usando células HEK-293.

É verdade que os riscos de infecção por coronavírus foram enormemente exagerados por motivos políticos ou outros questionáveis?

Não. Há um consenso entre epidemiologistas, virologistas e especialistas em doenças infecciosas em todo o mundo de que a atual pandemia de Covid-19 é a mais perigosa situação de emergência global em termos de saúde desde a gripe espanhola em 1918/19. Já há evidências claras de que 2020 viu um número excessivo de mortes, centenas de milhares, que não teriam ocorrido sem a pandemia. Além das mortes trágicas, há evidências crescentes de complicações de longa duração muito significativas em alguns sobreviventes, incluindo acidentes vasculares cerebrais (AVC ou “derrame”), problemas cardíacos, doenças pulmonares crônicas e até mesmo comprometimento cognitivo de longa duração. Agora parece provável que muitos milhares, senão milhões, de pessoas viverão com as complicações médicas da infecção por coronavírus nos próximos anos.

É verdade que as vacinas contra o coronavírus usam técnicas de vigilância secretas criadas por Bill Gates?

Não. Nenhuma das vacinas aprovadas pelas autoridades regulatórias usa técnicas de vigilância encobertas. Como muitas teorias da conspiração, esta tem sua origem em uma notícia genuína. Em dezembro de 2019, um grupo de pesquisadores norte-americanos financiados pela Fundação Bill e Melinda Gates publicou um artigo de pesquisa sobre uma tecnologia que era capaz de colocar um registro de vacinação na pele de um paciente usando uma tinta inteligente que poderia ser lida por um smartphone. A pesquisa não estava relacionada à pandemia de coronavírus e a tecnologia ainda não foi desenvolvida nem implementada.

É verdade que os governos democráticos ocidentais estão planejando tornar a vacinação contra o coronavírus obrigatória?

Não. No momento em que este artigo foi escrito, nenhum governo democrático ocidental havia revelado planos para tornar a vacinação obrigatória. Existem proteções legais e históricas muito fortes para a liberdade individual e a consciência na maioria desses países, e apenas os governos totalitários têm probabilidade de impor a vacinação. No entanto, é provável que haja campanhas públicas para persuadir o maior número possível de pessoas a receber a vacinação, a fim de aumentar os níveis de imunidade da população como um todo.

É verdade que a vacinação contra o coronavírus pode levar à infertilidade?

Não há evidências científicas fortes para apoiar essa possibilidade. Os ensaios clínicos existentes excluíram mulheres grávidas, mas essa é a prática padrão em todos os ensaios clínicos, para evitar a possibilidade remota de que um novo medicamento possa causar danos imprevistos ao feto. O conselho atual do Reino Unido é que as pessoas que estão grávidas, amamentando ou que podem engravidar dentro de três meses de sua primeira dose não devem receber a vacina, mas isso é uma preocupação com os possíveis riscos para o bebê, não por causa do risco de infertilidade.

Foi sugerido que há uma pequena sobreposição nas sequências de aminoácidos da proteína spike do coronavírus e uma importante proteína placentária chamada sincitina-1. Portanto, se o corpo cria anticorpos contra a proteína spike, eles poderiam inadvertidamente atacar a proteína da placenta. Esta é uma possibilidade teórica que permanece inteiramente especulativa e a maioria dos especialistas na área acha que é extremamente improvável. Se o mecanismo for verdadeiro, então é teoricamente possível que a própria infecção com o coronavírus natural poderia inadvertidamente levar à infertilidade mais tarde. No entanto, não há absolutamente nenhuma evidência para apoiar isso no momento.

É verdade que voluntários morreram como resultado de receber vacinas experimentais contra o coronavírus?

Houve duas mortes entre as 21.000 pessoas que receberam a vacina da Pfizer  mas, após extensa investigação por cientistas independentes, elas foram determinadas como eventos aleatórios não relacionados. Para efeito de comparação, houve quatro mortes que ocorreram ao acaso nas 21.000 pessoas que receberam o placebo inativo, então pode-se concluir que ser injetado com soro fisiológico era mais perigoso do que receber a vacina!

Logo após o início da imunização com a vacina da Pfizer no Reino Unido, dois profissionais de saúde, ambos com histórico anterior de alergias graves com risco de vida desenvolvidas em relação a outras substâncias, desenvolveram também reações alérgicas graves à vacina. Parece que os dois indivíduos não sofreram efeitos nocivos duradouros, mas as recomendações do Reino Unido foram modificadas após esses incidentes. A pessoas com histórico de respostas alérgicas muito graves (chamadas de anafilaxia) sugere-se avaliar com seu médico assistente se devem ou não receber a vacina. 

É verdade que o vírus sofre mutações tão rapidamente que as vacinas se tornam rapidamente ineficazes?

Sabe-se bem que o vírus da gripe sofre mutações contínuas e, portanto, uma nova vacina da gripe deve ser desenvolvida a cada ano. No momento, as evidências sugerem que o vírus da Covid-19 é geneticamente mais estável do que o vírus da gripe, e os especialistas esperam que as vacinas atuais permaneçam ativas por mais de um ano. No entanto, simplesmente não há experiência suficiente com o vírus da Covid-19 para prever a probabilidade de futuras mutações.


Esta postagem foi originalmente publicada em johnwyatt.com [6].

Fonte: 

Referências

1. Médicos de Cristo – Tradução: Mireille Gomes / Revisão: Bruna Proença

2. Um estudo Duplo Cego significa que nem pesquisadores, nem os voluntários vacinados sabem se estão recebendo o agente ativo ou o placebo até um tempo determinado previamente no estudo.

3. Placebo é uma substância neutra, sem agente ativo, utilizada em um grupo controle para estudos de novas medicações e vacinas, por exemplo.

4. Sistema de saúde do Reino Unido

5. Processo de seleção aleatório

6. https://johnwyatt.com/2020/12/21/faq-coronavirus-vaccines-frequently-asked-questions/

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https://blogs.icmda.net/2021/01/11/faq-vacinas-contra-o-coronavirus-perguntas-mais-frequentes/feed/ 1
O ‘outro’ sofrimento causado pelo coronavírus https://blogs.icmda.net/2020/10/08/o-outro-sofrimento-causado-pelo-coronavirus/ https://blogs.icmda.net/2020/10/08/o-outro-sofrimento-causado-pelo-coronavirus/#comments Thu, 08 Oct 2020 11:25:40 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=791 A pandemia COVID-19 já dura mais de sete meses. Ela matou diretamente mais de 800.000 pessoas e, indiretamente, causou perdas massivas a pessoas que, em sua maioria, não são vistas. Embora eu não tenha os números desse ‘dano colateral’, não tenho dúvidas de que é muitas vezes mais do que 800.000 mortes. Pessoas vulneráveis ​​que precisam de cuidados para outras doenças estão sofrendo, porque a pandemia está devorando recursos que poderiam tê-las ajudado. 

Esta questão foi trazida por Dawn em seu editorial [3] de 10 de agosto de 2020. (O editorial referia-se a uma história [4] de The New York Times.) Abaixo está um trecho do editorial do Dawn:

… [A] por volta de 80 por cento dos programas destinados ao tratamento de tuberculose, malária e HIV relataram interrupções em todo o mundo, dando origem à possibilidade de aumento de mortes e desenvolvimento de resistência aos medicamentos em pacientes. A tuberculose ceifa cerca de 1,5 milhão de vidas todos os anos em todo o mundo (mais do que qualquer outra doença infecciosa), mas a quarentena de três meses e o retorno gradual à normalidade nos meses subsequentes resultará em 1,4 milhão de mortes adicionais em todo o mundo. Da mesma forma, os especialistas também previram que o número de mortes por malária poderia dobrar, enquanto 500.000 mortes adicionais seriam causadas por HIV / AIDS devido a interrupções nos ciclos de tratamento.

A lista de tratamentos indiretamente afetados pelo COVID-19 não se limita à tuberculose, malária e HIV. As pessoas que sofrem incluem aquelas que precisam ir ao hospital regularmente porque têm uma doença crônica. Diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares estão recebendo menos do que a devida atenção porque os hospitais são dedicados ao COVID-19. Isso é especialmente verdadeiro para hospitais públicos, que em muitas partes do mundo oferecem serviços acessíveis aos pobres. Mesmo os serviços de ambulância não estão disponíveis em muitas partes do mundo porque os motoristas temem ser infectados pelo coronavírus. 

Os pacientes com câncer também são relegados a um segundo plano porque os hospitais não recebem bem aqueles que sofrem com isso, pois a doença não causa muita dor. Na verdade, os pacientes, principalmente nas áreas rurais, não sabem da urgência do problema e estão se afastando neste momento. 

No início deste mês, atendi um paciente com carcinoma genital. Ele veio me ver somente depois que se tornou um grande crescimento em forma de cogumelo. Teve medo de vir ao hospital há três meses, quando ainda era pequeno e poderia ter sido melhor tratado. 

Pacientes rurais como ele enfrentam desafios maiores do que seus colegas urbanos, por causa da quarentena e das restrições de viagem. Além disso, a perda de empregos, um problema extremamente sério por si só, deixou grandes setores da população nos países em desenvolvimento sem acesso aos serviços de saúde.

Outro problema sério é que as entregas institucionais pararam. As crianças não estão sendo imunizadas e as crianças doentes estão sendo levadas para curandeiros tradicionais em vez de serem levadas para o hospital. Pessoas com deficiência não são vistas nas proximidades de um hospital, novamente devido ao medo do COVID-19. 

É difícil estimar o número de mortes causadas por todos esses ‘problemas associados’. Nos países em desenvolvimento, esse número pode ser muito grande. Mas agora que reconhecemos o problema, vamos considerar algumas soluções.

Deixe de ser centrado no médico

Por causa da pandemia de COVID-19, estamos percebendo mais uma vez que temos uma lacuna intransponível entre o número de médicos e o número de pessoas com doenças crônicas. Na melhor das hipóteses, essa proporção era escandalosamente distorcida. Agora é um desastre completo. Acho que isso é verdade não apenas na Índia, que tem 500 escolas de medicina – as maiores do mundo – mas em todos os países em desenvolvimento.  

Formar técnicos em doenças crônicas e fazer com que vários deles trabalhem sob a supervisão de um enfermeiro / médico. Eles podem trabalhar em clínicas de bairro ou fazer visitas domiciliares. Treinar enfermeiros educadores de doenças crônicas que não apenas apoiarão os técnicos em doenças crônicas, mas também fornecerão educação aos pacientes para desmistificar os cuidados com as doenças crônicas. Ensinar aos pacientes tudo sobre os sinais de alerta – infecção do pé em um diabético, glicemia muito elevada ou baixa, teste de albuminúria, tontura ou síncope em um hipertenso, efeitos colaterais de medicamentos comuns, etc. Os pacientes precisam ser capacitados para controlar tanto de sua saúde / doença quanto possível. Mais importante, os técnicos em doenças crônicas continuarão incentivando os pacientes em suas casas a mudar seu estilo de vida – administrar sua dieta, fazer alguns exercícios e parar de fumar e beber.

Use a tecnologia

Ofereça atendimento proativo usando tele-consulta e visitas virtuais de atendimento. Os sintomas podem ser avaliados e os regimes de medicação podem ser alterados – tudo virtualmente. Entregue as receitas por e-mail com uma cópia para o farmacêutico.

Traga educadores em vacinas ou vacinadores

A esperança é que uma vacina controle a pandemia de COVID-19. Mas isso não vai acontecer até que a maioria da população esteja imunizada. Portanto, agora é a hora de treinarmos educadores em vacinas / vacinadores. Há outra maneira importante de essa mudança ser útil. Sabemos que a atual política de vacinação evitará que os pobres e marginalizados recebam a vacina contra o coronavírus. Além disso, uma vez que constituem a maior parte da população, a ameaça do COVID-19 não será reduzida para todos. Nossos educadores de vacinas podem influenciar e se tornarem ativistas para garantir que os pobres possam e tenham acesso à vacinação.

Mas todas essas etapas exigirão investimentos de tempo e tecnologia. Então, serão elas possíveis? Seriam necessárias criatividade e iniciativa – não apenas para realizá-las, mas também para que as medidas se paguem. Isso pode ser uma realidade também por meio de financiamento de fontes filantrópicas.

É trágico que haja mais vítimas da pandemia de COVID-19 do que é visto ou devidamente registrado. Os pobres estão lutando para obter cuidados não apenas para diabetes, hipertensão e câncer, mas também para as epidemias que mais os afetam – tuberculose, malária e HIV. Essa lista é encabeçada pela pandemia COVID-19, que ameaça a todos nós, mas a eles ainda mais. 

Não vamos tirar os olhos dos verdadeiramente vulneráveis. 


O Dr. Vinod Shah é ex-CEO do ICMDA.

Referências

1. https://blogs.icmda.net/author/guest/

2. Médicos de Cristo – Tradução: Mireille Gomes / Revisão: Bruna Proença

3. https://epaper.dawn.com/DetailImage.php?StoryImage=10_08_2020_006_003

4. https://www.nytimes.com/2020/08/03/health/coronavirus-tuberculosis-aids-malaria.html

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https://blogs.icmda.net/2020/10/08/o-outro-sofrimento-causado-pelo-coronavirus/feed/ 1
Maneiras criativas e práticas de ajudar as pessoas em comunidades pobres a responderem ao COVID-19 https://blogs.icmda.net/2020/10/08/maneiras-criativas-e-praticas-de-ajudar-as-pessoas-em-comunidades-pobres-a-responderem-ao-covid-19/ https://blogs.icmda.net/2020/10/08/maneiras-criativas-e-praticas-de-ajudar-as-pessoas-em-comunidades-pobres-a-responderem-ao-covid-19/#respond Thu, 08 Oct 2020 11:22:13 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=788 Conforme escrevo, podemos estar vivendo em uma ampla variedade de situações. Podemos estar na linha da frente, exaustos e sobrecarregados. Ou, no outro extremo do espectro, presos e aproveitando mais tempo com nossas famílias. E, claro, muitas situações no meio.

Mas talvez na mente de muitos de nós existam esses dois pensamentos.

Primeiro, o que pode ser feito para ajudar as pessoas nas circunstâncias mais difíceis, especialmente em assentamentos urbanos pobres, favelas, deslocados internos e campos de refugiados?

Segundo, como a igreja, os líderes cristãos e as congregações podem fornecer liderança sábia, colaborativa e compassiva, baseada na verdade?

Para aqueles que vivem em países e ambientes de alta renda, não é tão difícil seguir as regras conhecidas: mantenha pelo menos dois metros de distância, lave as mãos com água e sabão frequentemente e fique em casa, se possível.

Mas, como muitos de nós sabemos e todos podemos imaginar, é totalmente diferente para o um bilhão de pessoas que vivem em favelas ou campos de reassentamento. Essa é uma pessoa a cada oito no mundo. Além disso, 5% do mundo que vive em comunidades indígenas tem riscos muito altos (por exemplo, no Peru, Brasil e Bolívia).

Aqui estão algumas sugestões das diversas pessoas que encontramos na Rede Arukah[1] de diferentes países e de pacientes e contatos que alguns de nós encontramos em nosso trabalho diário.

Ouça a comunidade

Fiquei encantado ao ver este conselho resumido da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que é exatamente a abordagem que estamos tentando seguir na Rede Arukah: 

  • membros da comunidade, incluindo os marginalizados, devem identificar soluções que funcionem melhor na sua situação.
  • Eles então devem usar sua capacidade de mobilizar redes mais amplas.
  • Como as idéias são de propriedade da comunidade, é mais provável que as pessoas as sigam.
  • Ideias populares foram efetivas no HIV e no Ebola.
  • Mas agora são necessários modelos para ajudar as comunidades a se reunir, colaborar e receber educação e acompanhamento
    (LSHTM DEPTH Group Lancet 2020; 396: 1676-1677 (30 de maio))

Alguns membros do ICMDA estarão em uma situação ideal para incentivar esses modelos e dar conselhos quando necessário.

Ajudar a estabelecer estruturas de liderança

Onde o governo não está fornecendo subsídios adequadamente, a sociedade civil, incluindo grupos religiosos e igrejas, pode ajudar a estabelecer ou fortalecer as estruturas dos bairros, comunidades ou subdistritos, idealmente com o apoio de profissionais de saúde. Isso pode permitir duas abordagens valiosas, descritas abaixo, que podem salvar vidas, desde que algumas estruturas da comunidade estejam amplamente implementadas.

1. Configuração ou aceleração do rastreamento, monitoramento e isolamento

Isso é essencial para evitar a propagação. Onde o teste não está disponível, pode ser usada uma “abordagem sindrômica”, ou seja, identificar aqueles com sintomas prováveis, para que o rastreamento e o isolamento ainda possam prosseguir.

2. Proteger as pessoas vulneráveis

Por vezes conhecidas como ‘zonas verdes’, são áreas ao nível familiar, bairro ou comunidade onde as pessoas em maior risco podem ser ‘protegidas’ dos riscos de serem infectadas por outras pessoas que podem ser transmissoras sem sequer saber. As evidências mostram que isso é feito de maneira mais efetiva por meio de ‘blindagem institucional’, em outras palavras, usando uma ‘área neutra’ onde pessoas vulneráveis ​​podem ficar ao invés de se auto-isolarem em casas, onde os riscos são geralmente maiores. Obviamente, isso deve ser feito com o acordo e o apoio da comunidade, e de maneira compassiva e inclusiva. As congregações cristãs podem estar bem posicionadas para liderar o processo. Nem sempre é fácil, mas está provando ser possível em algumas áreas, como mostra este relatório da London School of Hygiene and Tropical Medicine: Orientation for the prevent of Infections COVID-19 entre indivíduos de alto risco em acampamentos[2].  

Garanta que informações precisas estejam disponíveis

Use pôsteres e grupos do WhatsApp da comunidade, rádio e todos os outros meios para garantir que os membros da comunidade tenham informações precisas de saúde. Idealmente, precisa ser de origem governamental ou aprovada pelo governo para evitar confusão, mas deve ser baseada na ciência.

O fornecimento frequente de informações corretas gradualmente dissipa rumores falsos e às vezes mortais, e teorias da conspiração, que surgem rapidamente quando o medo de um novo perigo toma conta. Tenho certeza de que todos nós estaremos cientes de notícias falsas que são comuns em nossa comunidade. Este artigo com o link abaixo[3] é útil neste aspecto.

Devemos ter certeza de que nossas informações são precisas, fáceis de entender e usar e ser escritas de maneiras culturais e linguísticas específicas. Vídeos, imagens, histórias e citações de modelos respeitados podem ajudar a reforçar a mensagem.

Novamente, a igreja pode ajudar aqui, desde que esteja fornecendo informações verdadeiras, apoiadas pelo cuidado compassivo das pessoas da comunidade, com base na necessidade, não na crença.

Deixe as necessidades e respostas da comunidade falarem

Descubra das comunidades locais quais são os problemas e medos atuais que as pessoas estão enfrentando. Muitos estão dizendo que o maior problema não é o COVID, mas os efeitos do lockdown, como falta de comida, aumento da pobreza, brutalidade policial e as dificuldades de precisar morar juntos em espaços confinados.

As comunidades estão fazendo coisas incríveis. Aqui estão apenas alguns exemplos:

No projeto ASHA, Delhi, que trabalha em mais de quarenta assentamentos de favelas, agentes comunitários de saúde e outros visitam casas para garantir que as pessoas tenham comida e dinheiro suficientes para sobreviver; e, em resposta a pedidos, também estão fornecendo pacotes de higiene menstrual para meninas adolescentes.

Em Ruanda, um grupo do Arukah identificou 40 famílias mais necessitadas e forneceu feijão, farinha de milho, arroz e sabão.

Muitas comunidades estão incentivando as famílias a celebrar as coisas boas juntas, por exemplo, usando música, humor e a maravilha da natureza.

As igrejas estão usando fazendo culto online, que geralmente alcançam mais pessoas do que os que frequentam um culto na igreja. Esta é uma grande oportunidade para os líderes da igreja ou outras pessoas em suas congregações a compartilharem conselhos valiosos de saúde e orientação sobre saúde mental como parte do serviço.

Muitos projetos em locais nos quais qualquer forma de distanciamento é impossível, estão trabalhando duro para garantir que famílias, vizinhos e membros da comunidade tenham máscaras e sabão e saibam como usá-los.

Mostrando bondade especial e apoio criativo a pessoas com deficiência e outras vulnerabilidades.

Em uma área do Quênia, as mulheres cozinham refeições e as entregam aos policiais, pois reconhecem que passam fome por tantas horas nas ruas. Nas áreas de Kericho e em outras partes do país, os grupos tribais estão deixando de lado suas diferenças para apoiarem-se mutuamente e, assim, criar novos modelos de amizade.

Pessoas de diferentes religiões estão trabalhando juntas com sucesso ao encontrar áreas comuns, como foi feito com sucesso em Serra Leoa na época do Ebola. 

Em Jamkhed, Maharashtra, Índia, um programa de saúde rural tratou quase 150 indivíduos com COVID-19 e em quarentena e, no processo, serviu 5.600 refeições quentes gratuitas.

Uma resposta apropriada dos líderes religiosos 

Como os líderes religiosos geralmente são os mais ouvidos e respeitados, precisamos fornecer informações fáceis de entender para que possam ajudar suas congregações a entender.

Os líderes religiosos podem assumir um papel de liderança em todas as idéias já descritas. Uma coisa é importante. Eles precisam ser habilmente guiados até o espectro mais baseado na verdade e menos extremo de seus ensinamentos religiosos. Isso é especialmente relevante para cristãos e muçulmanos, que não concordam em dizer que somente Deus e a oração serão suficientes para impedir ou curar o COVID.

Esta é uma oportunidade única para os líderes religiosos em geral, e para os líderes e congregações da igreja em particular, para moldar e liderar respostas compassivas, colaborativas e científicas.

Uma sugestão final

Algumas das maiores tensões familiares ocorrem durante o isolamento. As queixas e mágoas do passado podem vir à tona e adicionar muito a problemas de saúde mental, maus tratos ou mesmo violência. O presente do perdão, melhor ainda o perdão mútuo, pode ser incrível. Um líder da família ou um membro respeitado da família sugere que todos concordem em perdoar as queixas do passado e dar uma sensação de absolvição do que ocorreu no passado.

Explicar isso pode ser difícil e precisa ser autêntico. Mas se for feito com bondade e sensibilidade, na presença de Deus e com uma oração curta e gentil, poderá trazer novas bênçãos e paz à família.


Ted Lankester é Diretor da Rede Arukah
Tradução: Médicos de Cristo

Referências

1. https://www.arukahnetwork.org/

2.https://www.lshtm.ac.uk/sites/default/files/2020-04/Guidance%20for%20the%20prevention%20of%20COVID-19%20infections%20among%20high-risk%20individuals%20in%20camps%20and%20camp-like%20settings.pdf

3. https://www.arukahnetwork.org/post/160320

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https://blogs.icmda.net/2020/10/08/maneiras-criativas-e-praticas-de-ajudar-as-pessoas-em-comunidades-pobres-a-responderem-ao-covid-19/feed/ 0
Uma linha de apoio à crise COVID-19 para pessoas com problemas médicos, psicológicos e financeiros https://blogs.icmda.net/2020/10/08/uma-linha-de-apoio-a-crise-covid-19-para-pessoas-com-problemas-medicos-psicologicos-e-financeiros/ https://blogs.icmda.net/2020/10/08/uma-linha-de-apoio-a-crise-covid-19-para-pessoas-com-problemas-medicos-psicologicos-e-financeiros/#respond Thu, 08 Oct 2020 11:18:35 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=785

O Coronavírus 2019 (COVID-19) mudou nossas vidas. Uma pandemia totalmente inesperada apareceu na cidade de Wuhan, na China. E agora, devido à sua alta transmissibilidade, muitos dos países decidiram isolar ou restringir estritamente suas populações, para impedir a propagação da doença.

Destacamos três áreas de incertezas e o grande impacto que a doença está criando:

1. O impacto que a doença está causando na saúde da população, além de uma compreensão limitada da doença, está gerando dúvidas e incógnitas para a equipe médica e, especialmente, para a população em geral.

2. Quarentena e isolamento estão mudando a qualidade de vida das pessoas. Muitas pessoas estão mostrando sintomas de distúrbios emocionais: como ansiedade, angústia, depressão, pânico e medos sobre um futuro ainda incerto.

3. A pandemia está produzindo repercussões econômicas igualmente preocupantes. Perda de trabalho e emprego, maior pressão sobre os governos para fornecer subsídios de desemprego, queda na receita financeira, impacto na macroeconomia da maioria dos países, queda no consumo interno e queda nas exportações, para citar apenas alguns problemas. Já estamos na maior recessão econômica global dos últimos 100 anos.

Como associações médicas cristãs nacionais, nos perguntamos: ‘O que podemos fazer?’ Podemos fazer alguma coisa? Embora às vezes sintamos que é apenas uma gota em um oceano de necessidades: respondemos ‘Sim, pelo menos podemos fazer alguma coisa!’

Então, o que pode ser feito?

Com o objetivo de proporcionar maior bem-estar às pessoas, a ACUPS Uruguai (Associação Cristã Uruguaia de Profissionais de Saúde) criou um serviço de assistência telefônica on-line para a comunidade, com o objetivo de responder a perguntas relacionadas à saúde, distúrbios emocionais e dificuldades de gestão financeira.

Como isso é feito na prática?

A diretoria da Associação convidou seus membros médicos e especialistas em diferentes áreas para unir seus esforços na organização de um Sistema de Orientação a Crises através do WhatsApp.

Pessoas com dúvidas e perguntas em três áreas específicas (problemas médicos, problemas psicológicos e finanças) podem enviar uma mensagem para o WhatsApp da ACUPS. Uma secretária recebe cada uma das mensagens provenientes da comunidade e, em seguida, a ACUPS fornece a eles contato gratuito com um voluntário profissional da associação, de acordo com as necessidades da pessoa. Depois, eles se contactam e têm uma consulta por telefone, onde podem compartilhar suas perguntas e dúvidas.

Testemunhos e experiências iniciais do serviço

Estamos promovendo o serviço para diferentes grupos do WhatsApp. Os pastores da igreja nos perguntaram se esse serviço também inclui pessoas não-cristãs. Nós respondemos que sim.

O serviço é aberto a todos e pode ser uma oportunidade para compartilhar a esperança que o evangelho de Jesus Cristo nos oferece. Uma pessoa nos escreveu dizendo que estava ‘buscando orientação para um alcoólatra, e a ACUPS ofereceu uma oportunidade para receber ajuda’.

Nesta semana, o Sistema de Orientação de Crises foi iniciado e recebeu ligações de pacientes que sofrem de solidão, ataques de pânico e dificuldades relacionadas à vida familiar durante a quarentena.

Conclusões

Entendemos as grandes oportunidades de serviço que os profissionais de saúde cristãos podem oferecer por meio de nossas associações nacionais. Por esse motivo, em cada um de nossos países e grupos, incentivamos fortemente iniciativas criativas para oferecer ajuda e serviço.

Este não é o momento de guardar nossos talentos, mas de investi-los no Reino de Deus. Mateus 25:14-30 destaca isso na Parábola dos Talentos. É hora de não ter medo ou esconder nossas habilidades e talentos. É hora de nos entregarmos mais uma vez às mãos de Deus e investir, e desenvolver todas as capacidades que Deus nos deu para a extensão do reino de Deus e a bênção do próximo. Que assim seja.


Jorge Patpatian é secretário regional do ICMDA para a América do Sul [2]

Referências

1. https://blogs.icmda.net/author/jpatpatian/

2. https://icmda.net/jorge-patpatian/

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https://blogs.icmda.net/2020/10/08/uma-linha-de-apoio-a-crise-covid-19-para-pessoas-com-problemas-medicos-psicologicos-e-financeiros/feed/ 0
Sexualidade em tempos de COVID-19 https://blogs.icmda.net/2020/10/08/sexualidade-em-tempos-de-covid-19/ https://blogs.icmda.net/2020/10/08/sexualidade-em-tempos-de-covid-19/#comments Thu, 08 Oct 2020 11:15:56 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=780 Eu me senti na obrigação de escrever este artigo, após ler um documento emitido pela New York Community Health intitulado Sex and Coronavirus Disease 2019 (COVID -19)2.

Ao ler a publicação, fiquei impressionado com várias ideias sobre sexualidade, que o grupo científico de Nova York estava sugerindo para seus leitores, diante do confinamento imposto pela pandemia. Por exemplo, li uma frase: ‘Você é seu parceiro sexual mais seguro’. A lógica por trás da ideia era incentivar a prática do autoerotismo e da masturbação como substitutos do contato físico durante as relações sexuais: fornecendo assim uma saída para a energia sexual, para que não fosse liberada pelo contato de pessoa para pessoa.

Além disso, o artigo sugeriu indiretamente o desenvolvimento de meios alternativos de estímulo e satisfação sexual: através do uso de pornografia, bate-papo erótico por vídeo e mensagens de texto de conotação sexual (para citar apenas alguns). Em outras palavras, praticar a sexualidade à distância, a fim de minimizar o risco de contrair a doença.

Ao examinar a literatura sobre o assunto, descobri que ainda não existem muitos estudos e comentários sobre as consequências psicológicas e comportamentais do confinamento em relação à sexualidade: em particular, a respeito de novos hábitos sexuais das pessoas durante esse período de isolamento social. Dito isto, sabemos dos relatórios da ONU que na China e em outros países, como conseqüência do confinamento, houve um aumento nos casos de violência doméstica e divórcio. Também sabemos que o isolamento pode produzir condições relacionadas ao estresse, ansiedade, angústia e depressão (para citar alguns), as quais exacerbam as dificuldades de um relacionamento e produzem disfunção sexual.

Na verdade, os artigos que pude revisar seguem o caminho acima mencionado. Ou seja, sexo solo ou de longa distância, buscando estímulo sexual, satisfação e orgasmo com formas virtuais alternativas.

No meio de uma pandemia, todas as sugestões acima podem dar uma falsa impressão de serem razoáveis. Especialmente se limitarmos a sexualidade meramente a um direito, que podemos escolher livremente praticar, e onde os únicos limites são a vontade pessoal, a ausência de danos a nós mesmos e a prevenção de possíveis danos ou danos a terceiros. Visto dessa ideologia, todos teriam o direito de praticar seu erotismo de maneira livre e consciente, como cada um entender. De fato, muitas pessoas se apegam a esse modo de pensar.

No entanto, da minha perspectiva, devemos fazer alguns esclarecimentos relacionados ao comportamento sexual humano. Nós discordamos fortemente, visto que a sexualidade não é uma ciência exata. O estudo da sexualidade humana e seus postulados não são como a matemática. Sentimentos, atitudes e comportamentos sexuais são governados por ideologias pressupostas que não podemos ignorar. O que pode ser adequado para muitos não é apropriado para outros.

Podemos ter uma atitude crítica e reflexiva em relação a esta avalanche de propostas.

Como, então, podemos responder a essas sugestões que os ‘especialistas’ nos fazem? O sexo virtual é uma alternativa válida e benéfica para os seres humanos? O que é certo e errado em questões de sexualidade? Para muitas pessoas, não há base para fazer essas perguntas. Mas tudo isso depende da ideologia que cada pessoa tem.

O que realmente é importante, no entanto, é que se faz um esforço real para intelectualizar e refletir sobre o assunto em questão. E reconhecer a evidência inegável que deve ser considerada ao fazer escolhas sobre o comportamento sexual de alguém.  

1. Devemos diferenciar o comportamento sexual humano do de todos os outros seres vivos. A sexualidade nos animais é instintiva e exclusivamente biológica. Afetos não contam na sexualidade dos animais. No ser humano, são os afetos que dão sentido e direção ao sexo: são eles que enriquecem a experiência sexual. O contato amoroso que envolve um relacionamento sexual produz não apenas satisfação momentânea, mas pode transformar esses momentos na melhor das memórias, além de uma experiência biológica. Esse contato emocional com o parceiro é o que distingue e eleva o sexo: prevenindo a possibilidade de uma experiência imatura e egoísta e a transforma em um relacionamento humano afetuoso, complementar e enriquecedor.

2. A prática sexual constitui a melhor e mais completa experiência humana, se for possível compartilhá-la com outra pessoa. Então, por sua vez, autoerotismo e masturbação são formas imaturas e egoístas de viver a sexualidade. Não podemos colocá-los no mesmo nível da experiência completa com outra pessoa. Não podemos enganar a nós mesmos ou enganar os outros. É como comer uma fruta quando ela ainda está verde ou não madura. Podemos comer uma fruta  não madura? Sim, é claro que podemos, mas prefiro não fazê-lo. Também não desejo promovê-lo para que outros o façam e, assim, deixem de experimentar o melhor da sexualidade humana.

3. A pornografia promovida nesta quarentena segue a mesma linha de raciocínio. A pornografia é uma forma imatura e egoísta de satisfação erótica. É o pão de hoje e a fome de amanhã, porque podemos acabar como prisioneiros de dependência nesta situação de quarentena. A pornografia pode arruinar a vida pessoal e conjugal. Nos estudos de Josh McDowell, os dados estatísticos mostram que uma alta porcentagem de divórcios hoje é resultado de pornografia. A pornografia diminui a libido; também substitui a atração natural e a experiência autêntica por outra pessoa por uma imagem pornográfica, distorcendo totalmente o propósito da sexualidade.

Por todas essas razões, continuamos a entender que a sexualidade é uma experiência humana, que requer as melhores condições. Vamos nos libertar do mito de pensar que o sexo não pode ser controlado. Nada tem que acontecer conosco, nem temos nada a perder, se esperarmos o melhor momento, com a melhor pessoa e o melhor de nós mesmos, para poder experimentá-lo. Não vamos nos contentar com nada menos.

Eu recomendo que você tenha em mente essas reflexões sobre sexualidade durante esse período de quarentena.


Referências

1. https://blogs.icmda.net/author/jpatpatian/

2. https://www1.nyc.gov/assets/doh/downloads/pdf/imm/covid-sex-guidance.pdf

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https://blogs.icmda.net/2020/10/08/sexualidade-em-tempos-de-covid-19/feed/ 1
40 perguntas para um tempo de qualidade entre cônjuges confinados https://blogs.icmda.net/2020/10/08/40-perguntas-para-um-tempo-de-qualidade-entre-conjuges-confinados/ https://blogs.icmda.net/2020/10/08/40-perguntas-para-um-tempo-de-qualidade-entre-conjuges-confinados/#comments Thu, 08 Oct 2020 11:13:13 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=776 O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha. (Gênesis 2:25 NVI)

No início, o primeiro casal no Jardim do Éden estava nu. Essa nudez simboliza a transparência, um conhecimento íntimo do outro, de seus pensamentos, sonhos e aspirações profundas. Satanás conseguiu quebrar a beleza da inocência no Jardim do Éden, e acredito que Jesus apareceu para destruir as obras do diabo (1 João 3:8). Seu trabalho ainda hoje possibilita um profundo engajamento e intimidade como casal.

O tempo de confinamento da COVID-19 pode não apenas ser um momento de conflito entre cônjuges que não estão acostumados a passar tanto tempo juntos, mas também uma oportunidade de aprofundar a comunicação e o conhecimento um do outro. Convido você a escolher a segunda opção. Organize momentos do dia sem estresse, em uma atmosfera pacífica, um tempo para discussão fora de qualquer crise.

Muitos casais só têm essas discussões em tempos de conflito e, portanto, passam muito tempo brigando e se reconciliando. Falar em tempo de paz é o que você precisa, pois permite desarmar bombas-relógio, comunicar-se melhor sem emoções negativas, conhecer melhor um ao outro e unir-se.

Os horários para discussões entre casais não são momentos de acertos de conta ou resolução de conflitos. Estes são tempos de compartilhar e construir, de coração para coração. Portanto, incentive cada membro do casal a se abrir e compartilhar livremente seu coração e evitar julgar, mas valorizar o ponto de vista do outro e levá-lo em consideração.

Para facilitar o ouvir, escolha um objeto que passe de uma mão para outra, conforme quem está no direito de falar naquele momento.

Para evitar explosões ou birras, mantenha contato visual e corporal (segure as mãos ou sente-se para que se toquem). Evite se acusar e usar o ‘você tem …’, mas use o ‘eu’.

Expresse seus sentimentos sem fazer o outro se sentir culpado. Se houver um mal-entendido, faça uma pausa por um tempo determinado e depois volte para continuar a discussão. Defina a duração do tempo de pausa antes do início da discussão.

Eu ofereço 40 perguntas simples para alimentar uma discussão construtiva em seu relacionamento.

Aproveite o tempo para explorá-las e anote as descobertas que você fez. Lembre-se de orar e cuidar um do outro para implementar suas resoluções. Boa discussão.

A. CULTO FAMILIAR E VIDA ESPIRITUAL COMO CASAL E FAMÍLIA

  1. Como você acha que está a vida do nosso culto familiar? Como a restauramos?
  2. Qual é o nível de nossa vida de oração em casal? Como melhoramos isso? Quanto tempo podemos dedicar à oração, como casal, em uma semana? Em que dia podemos agendá-lo?
  3. Qual é o nível de nosso estudo da Bíblia em casal? Como podemos melhorar? Quanto tempo podemos dedicar a meditar na Palavra de Deus, em casal, em uma semana? Em que dia podemos agendá-lo?
  4. Nossos filhos nos veem vivendo nossa fé? Quando? Como podemos impactá-los mais através do nosso estilo de vida cotidiano?
  5. Podemos estabelecer um horário de leitura da Bíblia todos os dias junto com as crianças? Que horário você acha que é o melhor?

B. VISÃO CONJUNTA, TRABALHO EM EQUIPE, DONS E TALENTOS

  1. Você acha que trabalhamos bem juntos como equipe? Se não, qual você acha que é o maior obstáculo que nos impede de fazê-lo? Como podemos funcionar melhor em equipe?
  2. Diga-me qual é a sua visão, para o que você acha que o Senhor está chamando você?
  3. Quais são as suas prioridades na vida?
  4. Temos uma visão comum? Qual é o ponto de interseção de nossos chamados? De que outra forma podemos encontrar um? Podemos escrever nossa visão, a missão de nossa família? Se sim, escreva-a depois volte para casa e compartilhe-a.
  5. Você conhece sua posição em nossa visão comum? Qual você acha que deveria ser minha posição?
  6. Que dons você acha que eu tenho?
  7. Anote em uma folha os pontos fortes e as qualidades do seu cônjuge. Como podemos funcionar como uma equipe levando em consideração esses pontos de cada um?
  8. Até que ponto somos fontes de bênção, não apenas como indivíduos, mas também em termos de casal e família?

C. AMIZADE E COMUNICAÇÃO NO PAR

  1. Compartilhe comigo como você leva amor ao outro e como você ama recebê-lo.
  2. Onde está o nosso de coração para coração? Nós temos algo assim? É profundo? Você se sente livre para compartilhar tudo comigo? Se não, por que não?
  3. Como está a nossa comunicação? Você acha que eu me comunico bem? Quais são os meus pontos positivos? O que devo mudar / melhorar?
  4. Quão criativos somos em nossa vida de casados? Como quebrar a monotonia? O que podemos mudar?
  5. Compartilhe comigo seus medos, suas fraquezas e suas experiências.
  6. Em quais das seguintes coisas você se sente mais confortável falando comigo: os fatos, minhas opiniões, minhas emoções ou minhas aspirações profundas?
  7. Você acha que tem espaço suficiente para florescer em nosso relacionamento como casal?
  8. Como você foi treinado nas seguintes áreas da sua família de origem: gerenciamento de conflitos, integridade, compartilhamento profundo, escuta, tomada de decisão, incentivo, serviço? Estamos fazendo melhor do que nossos pais com nossos filhos? O que passamos a eles nessas áreas?

D. EDUCAÇÃO INFANTIL

  1. Você acha que cedemos à Igreja a responsabilidade pelo treinamento espiritual de nossos filhos? Nesse caso, como podemos reverter a tendência e tomar nosso lugar na educação de nossos filhos? O que devemos fazer concretamente?
  2. Como podemos gerenciar melhor nosso tempo para desempenhar melhor nosso papel de pais?
  3. Como podemos estimular o compartilhamento de conversas mais profundas com nossos filhos?
  4. Quais são os tópicos mais comuns da conversa? Como podemos integrar Deus de uma maneira não religiosa e não moralista?
  5. Nossos filhos se sentem envolvidos em nossa família?
  6. Como podemos afirmar e valorizar cada um de nossos filhos?
  7. O que você acha do nosso sistema educacional, seus pontos fortes e fraquezas?

E. Fundamentos da vida do casal

  1. O casal constitui o fundamento da família. Você sabia disso?
  2. Por que você acha que deveria ser assim?
  3. O que teremos que mudar para viver essa realidade?
  4. Na sua opinião, quais são as características de um templo? O que isso pode implicar para nós como casal?
  5. Existe alguma diferença entre a imagem que retratamos em público e quem somos em particular? Como podemos resolver a diferença, se houver alguma?
  6. Até que ponto você acha que nós, como casal, refletimos a imagem de Deus? O que precisamos criar para alcançar esse nível?
  7. Você acha que eu deixei a casa de meu pai de acordo com Gênesis 2:24? O que resta a ser feito de cada lado para finalizar esse processo?

 F. INTIMIDADE SEXUAL

  1. Você está satisfeito com a nossa vida sexual? Como podemos melhorar?
  2. O que faria você realmente feliz?
  3. Você está satisfeito com o ritmo de nossos atos sexuais? Que ritmo você desejaria? Que consenso podemos encontrar sobre a frequência de nossas relações sexuais?
  4. Precisamos procurar aconselhamento para encontrar soluções para nossos desafios nessa área ou procurar aconselhamento médico?
  5. Existem bloqueios espirituais ou emocionais para nós nesta área?

O Dr. Jean Paul DANSOU é Representante Regional do ICMDA para a África Ocidental Francófona.

Referências

1. https://blogs.icmda.net/author/jpdansou/

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https://blogs.icmda.net/2020/10/08/40-perguntas-para-um-tempo-de-qualidade-entre-conjuges-confinados/feed/ 1
Concentre-se no que você PODE fazer durante esta pandemia https://blogs.icmda.net/2020/10/06/concentre-se-no-que-voce-pode-fazer-durante-esta-pandemia/ https://blogs.icmda.net/2020/10/06/concentre-se-no-que-voce-pode-fazer-durante-esta-pandemia/#comments Tue, 06 Oct 2020 13:14:04 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=769 ‘Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor. Mas entendam isto: se o dono da casa soubesse a que hora da noite o ladrão viria, ele ficaria de guarda e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Assim, também vocês precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam.’ (Mateus 24:42-44 NVI)

O que REALMENTE está acontecendo por trás da COVID-19? É o início de uma Nova Ordem Mundial, um encobrimento do CDC[2], um ataque biológico planejado ao mundo ocidental ou uma das várias outras teorias de explicações possíveis que estão sendo dadas? Se você realmente acredita que uma dessas teorias é 100%[3] correta e está disposto a basear sua vida nela, não siga com esta leitura.

Porém, para aqueles que não têm certeza, ou que têm amigos que querem que as explicações alternativas sejam consideradas, espero que este post ajude.

Em primeiro lugar, como médico, tenho visto a reação que estamos tendo como sociedade, manifestada centenas de vezes em indivíduos ao longo dos anos. Considere uma jovem que acaba de contar que tem câncer de mama. Ela vai passar por algumas respostas e emoções previsíveis:

  • Negação – (‘Os testes estão errados; precisamos refazê-los. Quero outra opinião.’)
  • Raiva – (‘Não é justo; por que eu? Tenho filhos pequenos!’)
  • Ansiedade/Depressão – (‘Estou com tanto medo e preocupado’/’Qual é o sentido de tudo isso afinal?’)
  • Barganha – (‘Vou pôr em ordem minha dieta e começar a me exercitar mais.’)

Ao longo de tudo isso, há uma forte tendência de as pessoas procurarem outra pessoa (ou coisa) para culpar. Essencialmente, o que eles procuram é um senso de controle e previsibilidade – e é totalmente normal querer isso.

Pense em como respondemos como comunidade à COVID-19. Vimos todas as reações acima em nós mesmos e nas pessoas ao nosso redor: negação, raiva, ansiedade e barganha. E certamente estamos vendo muitas acusações e procurando alguém para culpar. Queremos recuperar algum senso de controle, e isso é compreensível.

Quando as pessoas começam a culpar, no entanto, existem alguns problemas:

  • Elas costumam escolher uma ou duas coisas ou pessoas para focalizar sua raiva, em vez de reconhecer que existem muitos fatores diferentes contribuindo (alguns conhecidos e outros desconhecidos).
  • Elas estão tão focados em encontrar um bode expiatório, que não conseguem ver todo o bem que foi feito (e está sendo feito). Seu mundo se torna bastante escuro e sem esperança. Tenho visto muito isso em meus pacientes nas últimas semanas.

Quando as pessoas começam a tentar recuperar o controle, as teorias que mencionei no início podem ser muito atraentes. Dá uma sensação de alívio saber que as coisas estão acontecendo conforme o esperado (mesmo que não pelas pessoas que você deseja que estejam no controle – pelo menos alguém está, e talvez possamos impedi-los!).

Então, o que acontece quando as pessoas começam a acreditar que existe uma trama organizada para dominar o mundo?

Mesmo antes da COVID-19 já havia pesquisa sobre isso (não é uma maneira nova que os humanos usaram para lidar com desastres e medo, mas agora estamos vendo isso se intensificar):

  • Eles começam a ser capazes de ignorar fatos que contradizem a história. Por se sentirem melhor tendo um foco para sua raiva, estão dispostos a ignorar as inconsistências lógicas. Na verdade, as inconsistências são frequentemente transformadas em novas ‘evidências’.
  • Eles começam a difamar as pessoas que acreditam de forma diferente a eles, e ao invés de ouvir, eles começam a empurrar suas perspectivas para os outros.
  • No curto prazo, eles sentem uma sensação de alívio e recuperam uma sensação de controle. Junto com isso, há a sensação de que possuem conhecimentos internos especiais que precisam ser compartilhados com outras pessoas para que também possam sentir alívio.
  • Ironicamente, a consequência à longo prazo geralmente é uma sensação de impotência e desespero. Não creio que tenhamos visto isso ainda com a COVID-19, mas é um perigo muito real nos próximos anos.

Por enquanto, nenhum de nós tem recursos ou capacidade para investigar todas as teorias que existem. Diante disso, algumas parecem completamente ridículas, mas muitas possuem uma raiz de verdade, que é o que torna difícil até mesmo para pessoas inteligentes e educadas discernir.

Minha preocupação como médico e membro da comunidade é que as pessoas estão gastando enormes quantidades de tempo e energia correndo atrás de teorias, discutindo-as e divulgando-as, e NÃO focando no fato de que estamos no meio da pior crise médica que nossa geração já viu.

Vamos retificar nossas prioridades.

Quando a poeira baixar e as investigações forem conduzidas nos próximos anos, muitas dessas perguntas serão respondidas. Essa será a hora de buscar justiça e cobrar contas. No momento, precisamos fazer o que sabemos ser importante e útil para reduzir a disseminação do vírus e a ansiedade desnecessária. Portanto, em um nível muito prático:

  • Verifique sua própria forma de lidar; você é atraído por teorias porque elas lhe dão uma sensação de controle e previsibilidade? Lembre-se de que esta é apenas uma ‘correção’ temporária.
  • Peça aos amigos, que lhe enviam teorias e tramas, que parem de fazê-lo; explique que você acha isso inútil.
  • Pense duas vezes antes de encaminhar informações que você não pode verificar.
  • Pense duas vezes antes de encaminhar informações que o deixaram ansioso ao lê-las.
  • Considere desligar a mídia e as redes sociais por um tempo; peça a um amigo para informá-lo sobre qualquer coisa essencial (por exemplo, mudanças de regras).

Como cristãos, sabemos que, aconteça o que acontecer, Deus está no controle e sabe o tempo de tudo, incluindo o retorno de Jesus. Mas nós não sabemos, então não vamos nos prender a predições, mas sim ‘vigiar’ obedecendo fielmente a Ele no presente. É assim que se pode ‘estar pronto’.

Como indivíduos e comunidades, ainda há muito que PODEMOS fazer e controlar, então vamos nos concentrar nisso!


O Dr. Tash Yates é um Clínico Geral sediado em Gold Coast, Austrália.

Referências

1.  Médicos de Cristo – Tradução: Mireille Gomes / Revisão: Flávia Figueiró

2. CDC – Centers for Disease Control and Prevention – Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos

3.  https://www.bibliaonline.com.br/nvi/is/66/1-24

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https://blogs.icmda.net/2020/10/06/concentre-se-no-que-voce-pode-fazer-durante-esta-pandemia/feed/ 2
Enfrentando a COVID-19 em um local remoto e com poucos recursos https://blogs.icmda.net/2020/10/06/enfrentando-a-covid-19-em-um-local-remoto-e-com-poucos-recursos/ https://blogs.icmda.net/2020/10/06/enfrentando-a-covid-19-em-um-local-remoto-e-com-poucos-recursos/#comments Tue, 06 Oct 2020 13:10:54 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=766 Quando recebi a ordem do governo no final de março dizendo que seríamos o único hospital designado para COVID-19 para todo o distrito de Simdega, senti meu coração afundar.

Eu sou o mais velho entre três médicos em um pequeno hospital chamado Shanti Bhavan Medical Center, em uma vila chamada Biru, situada no estado de Jharkhand, na Índia. Lidero uma equipe de quatro médicos – dois médicos experientes, incluindo eu (tenho quase 70 anos) e dois jovens médicos recém-saídos da faculdade.

Somos o único hospital de nível secundário em um raio de 70-80 quilômetros, e para uma unidade com UTI não há mais ninguém em 100 quilômetros. Os centros maiores mais próximos estão em Ranchi e Rourkela – mais de 100 quilômetros e um mínimo de 3-4 horas de viagem rodoviária de distância.

Ao redor do hospital, há pequenos vilarejos habitados predominantemente por tribos. A população local está envolvida na agricultura marginal, além da coleta de produtos florestais. A atividade agrícola ocorre apenas durante a estação das chuvas. Quando não há cultivo, os homens migram principalmente para os estados vizinhos como trabalhadores, deixando para trás idosos, crianças e mulheres. Portanto, nosso hospital existe entre uma população muito marginalizada.

O alcoolismo é alarmante entre ambos os sexos, independentemente da idade, e somado a isso há uma alta taxa de analfabetismo. As pessoas são tão pobres que muitas vezes não conseguem pagar nem mesmo o custo mínimo do tratamento. Esta instalação com 60 leitos é bem equipada, mas com falta de pessoal. Lidamos com uma ampla gama de emergências, como picadas de cobra, envenenamento, infarto agudo do miocárdio e malária cerebral. Também gerenciamos todos os tipos de trauma, incluindo traumatismo craniano, trauma múltiplo e ferimentos devido a ataques de faca.

Ao receber a ordem governamental, minha primeira reação foi de pânico, pois não tínhamos todos os recursos de que precisávamos. Não havíamos preparado nenhuma de nossas instalações para cuidar de pacientes com COVID-19. Depois, havia a preocupação com a segurança de nossa equipe – não apenas por mim, porque estou perto dos 70, mas também por outras pessoas que estão na casa dos 40 e 50 anos.

Eu estava para conseguir obter protocolos relativos ao gerenciamento da COVID-19. Por estarmos isolados da comunidade médica principal/central, era difícil para a gente obter informações confiáveis ​​e autênticas. Já havia medo criado nas mentes de todos os nossos funcionários por causa do que foi divulgado nas plataformas de mídias sociais. Somado a isso, havia o impacto da quarentena nacional, sem lojas, suprimentos ou transporte. Parecia que íamos atravessar um túnel escuro sem saber aonde nos levaria.

Mas quase não havia tempo para pensar, pois tínhamos de ‘começar a trabalhar logo’. Não tínhamos EPI e eles não estavam disponíveis em nenhum lugar. Não tínhamos medicamentos específicos e nossos fornecedores foram fechados. Então, foi como entrar em uma batalha sem armadura em nossos corpos e sem armas em nossas mãos.

Usamos todos os recursos para preparar o EPI. Não havia nenhum que pudesse ser comprado localmente. Apesar de todas essas dificuldades, a equipe foi estóica [2] e cooperou de coração. Pegamos dinheiro emprestado e compramos qualquer material que pudéssemos conseguir nas lojas locais. Em seguida, projetamos nosso próprio EPI – equipamento de proteção costurado à mão – com todos contribuindo. Compramos pó de descoloração, preparamos uma solução de hipoclorito e coletamos álcool industrial para higienizadores de mãos. Tudo o que julgamos necessário para tratar os pacientes com COVID-19, improvisamos. Fizemos nossas próprias máscaras de tecido de quatro camadas e convertemos folhas de plástico em aventais e galochas em calçados de proteção.

Então começou uma cascata de problemas com os quais nunca tínhamos sonhado. Como um hospital COVID-19, não tínhamos permissão para atender nenhum paciente de rotina não COVID-19. Assim, nossa principal fonte de renda desapareceu repentinamente. Nossas reservas se esgotaram e ficamos reduzidos a uma existência cotidiana precária, sempre preocupados com de onde viriam os meios de sobrevivência do dia seguinte.

Para agravar tudo isso, havia o enorme estigma social associado ao fato de sermos um hospital para coronavírus. Muitos de nossos funcionários que vinham de vilarejos próximos foram impedidos de trabalhar porque eram suspeitos de transportar o vírus de volta para seus bairros. Eles foram proibidos de tomar banho no lago da aldeia ou de chegar perto de qualquer poço de água e foram orientados a não se aproximar da igreja ou das lojas locais. Muitos deles foram ameaçados de violência se persistissem em vir trabalhar no hospital. O estigma da COVID-19 é tão profundo na comunidade que nossa equipe quase foi excluída em suas aldeias. A intervenção da polícia local não teve muito efeito. Então, nós os levamos para o hospital e lhes demos acomodação temporária e alimentação. Isso nos deixou cada vez mais endividados, pois tínhamos que pedir mais empréstimos para suprimentos e alimentos.

Oramos juntos todas as manhãs e noites, suplicando a Deus que nos guiasse. Ficamos de mãos dadas, prometendo cuidar uns dos outros, mesmo se adoecêssemos. A convicção cresceu em nós, lenta mas seguramente, de que podemos fazer coisas com a ajuda de Deus, apesar dos problemas aparentemente intransponíveis que enfrentamos.

Começamos com o que tínhamos quando os primeiros pacientes chegaram. Iniciamos com a firme confiança de que Deus estava conosco nesta jornada conturbada. Nos sentimos ligados a Deus e uns aos outros quando começamos a cuidar dos pacientes infectados com COVID-19. Nunca deixamos de nos encontrar todos os dias para orar e apoiar uns aos outros. Pela graça de Deus, conseguimos obter medicamentos dos suprimentos do governo.

O estado de Jharkhand estava enfrentando um enorme fluxo de trabalhadores migrantes voltando de outros estados e temíamos que uma enxurrada de casos COVID-19 estivesse a caminho. Nossos temores foram provados corretos quando muitos dos trabalhadores que retornaram estavam infectados. Eles logo começaram a chegar à nossa porta – homens, mulheres grávidas e até crianças. Eles chegaram exaustos, desidratados e às vezes morrendo de fome. Cada um deles tinha uma história angustiante sobre dificuldades inimagináveis ​​pelo caminho. Eles chegaram com nada além do que estavam em suas costas – sem muitos bens materiais, sem dinheiro e sem documentos. Além de tudo isso, estar infectado com a COVID-19 foi o pior de seus sofrimentos.

O que começou como um gotejamento tornou-se uma inundação. Ao mesmo tempo, tínhamos 40 pacientes positivos para COVID-19 na enfermaria, incluindo mulheres grávidas e uma criança de três anos. Todos eles tiveram que ser alimentados e cuidados.

Apesar de todos os desafios, nós os tratamos com cuidado e compaixão, sem comprometer a segurança da equipe. Asseguramos que eles fossem alimentados com comida nutritiva e tivessem um tempo de descanso. Era muito evidente que eles não podiam esquecer facilmente o trauma de sua jornada. Estávamos muito preocupados com as mulheres grávidas e as crianças. Éramos apenas alguns médicos e enfermeiras, mas trabalhávamos sem parar, apesar de nossos temores de segurança e nosso cansaço físico. Foi uma tarefa difícil para uma pequena comunidade como a nossa.

Foi difícil convencer uma criança de três anos a não sair do confinamento de seu quarto. Para muitos deles, especialmente as crianças, deve ter sido uma experiência assustadora – o isolamento estrito e os trabalhadores médicos cuidando deles com roupas estranhas, sem seus rostos nem suas expressões claramente visíveis.

Em um ponto, pensamos que havia chegado ao fim de nossos recursos e determinação. Fomos forçados ao limite por dinheiro, poder material e humano. Eu não estava orgulhoso de estar neste estado e estava extremamente angustiado por pedir aos funcionários que colocassem suas vidas em perigo sem poder pagar-lhes um salário mínimo. Eu não tinha mais orgulho de mim mesmo para fingir que poderíamos viver por conta própria. Oramos fervorosamente para que Deus encontrasse uma maneira de continuarmos caminhando fielmente e de servi-Lo, apesar das probabilidades aparentemente intransponíveis.

Então, na hora certa, muitos dos meus professores, colegas, ex-alunos, ex-colegas e estudantes entraram em cena com suas ofertas de apoio. Por meio de algumas dessas conexões, muitas portas de generosidade se abriram, além dos meus sonhos mais impensáveis.

O que começou como um gotejar de doações, logo se tornou uma torrente de bênçãos. Isso trouxe presentes em dinheiro para pagamentos de materiais, EPIs, medicamentos, bem como despesas com alimentação para todos nós. Isso nos garantiu nossa segurança e provisão para nossas necessidades imediatas. Eu poderia dormir tranquilo depois de passar noites sem dormir me preocupando em atender às necessidades do dia seguinte.

Até agora, tratamos 173 pacientes – incluindo casos positivos para COVID-19 e casos suspeitos de COVID-19. Todos os casos confirmados tornaram-se negativos, tiveram alta e foram bem encaminhados para casa. Não houve mortalidade. Toda a nossa equipe está segura e ninguém foi infectado até o momento. Tudo isso foi possível pela graça de Deus, bem como pela bondade e apoio de tantos ligados ao Christian Medical College Vellore, minha alma mater[3].

A luta continua. Mas acreditamos que não estamos sozinhos neste canto esquecido da Índia, travando uma luta solitária contra esse inimigo invisível. Deus tem estado conosco constantemente. Nós sobrevivemos até agora com Graça, Coragem e Gratidão – a graça de Deus e tantas pessoas conectadas aos meus dias na faculdade de medicina; a coragem de nossa pequena equipe, que ficou firme comigo persistentemente, apesar de suas frustrações e exaustão; gratidão a Deus por sua imensa misericórdia em nos manter seguros e às nossas famílias e amigos por seu apoio e orações constantes.

Em última análise, percebemos que estes são tempos sem precedentes. Em O Senhor dos Anéis, Frodo diz, ‘“Gostaria que isso não tivesse acontecido na minha época.” “Eu também,” disse Gandalf, “Como todos os que vivem nestes tempos. Mas a decisão não é nossa. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.”'[4]

Mas para nós, como cristãos, a firme convicção é que nossos tempos estão nas mãos do Senhor, como está escrito em Isaías 43:1-2:’ Mas agora assim diz o Senhor, aquele que o criou, ó Jacó, aquele que o formou, ó Israel: “Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu. Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; e, quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, você não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas.’ (NVI)

Nós, como uma pequena equipe de trabalhadores de saúde cristãos em um canto remoto e isolado da Índia, podemos testemunhar que essa promessa é verdadeira enquanto continuamos a testemunhar nosso Salvador servindo aos aflitos pela  COVID-19 nessas circunstâncias difíceis e provadoras.


O Dr. George Mathew é o diretor médico do Shanti Bhavan Medical Center na vila de Biru, no distrito de Simdega, no estado de Jharkhand, na Índia. Ele pode ser contatado em [email protected].

Ouça um recente webinar do Dr. Mathew enquanto ele descreve com mais detalhes como é enfrentar a COVID-19 em um local remoto e com poucos recursos: https://www.youtube.com/watch?v=qeoVYf67veE

Referências

1. Médicos de Cristo – Tradução: Mireille Gomes / Revisão: Flávia Figueiró.

2. Estoicismo – substantivo masculino Rigidez ou fidelidade aos seus próprios princípios. [Filosofia]

3. Alma mater – expressão alegórica em latim que pode ser traduzida como a mãe que alimenta ou nutre.

4. TOLKIEN, J. R. R. O Senhor dos Anéis. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

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Estamos em um momento Peniel com Deus para sermos quebrantados e vulneráveis https://blogs.icmda.net/2020/10/06/estamos-em-um-momento-peniel-com-deus-para-sermos-quebrantados-e-vulneraveis/ https://blogs.icmda.net/2020/10/06/estamos-em-um-momento-peniel-com-deus-para-sermos-quebrantados-e-vulneraveis/#respond Tue, 06 Oct 2020 13:07:11 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=763 A vida de Jacó fala muito em nossas vidas nesta temporada. A parte da sua história que é particularmente relevante para os nossos dias é o encontro com Peniel. Um homem que sempre quis estar no controle de sua vida – tramando, planejando e traçando estratégias para obter sucesso, mesmo quando isso significava rebaixar os outros – de repente se encontra vulnerável e sozinho, lutando com um homem que acaba por ser Deus! (Gênesis 32:22-32 [3])

Em seus primeiros anos, Jacó exibe muito bem as características de seu nome – usurpador, enganador, aquele que luta com o homem. Ele está sempre indo à frente dos planos de Deus para sua vida, tentando tomar o controle de várias maneiras. Ele engana seu irmão e seu pai, e foge para Midiã temendo retaliação de seu irmão. Mas os 20 anos que passa em Midiã com o sogro são uma fase difícil de sua vida, pois ele encontra seu par. Labão é um enganador e manipulador igualmente astuto.

O momento Peniel acontece no seu caminho de volta à terra de seus antepassados. Jacó, farto de seu sogro, quer voltar para sua terra natal com suas duas esposas e onze filhos, mas está com medo. Ele se lembra da ira de seu irmão Esaú e espera o pior. Então, ele planeja bem sua jornada para proteger seus pertences e sua família. À frente da caravana, ele posiciona vários presentes seguidos por diferentes grupos, sua família em seguida, e então ele próprio os segue na parte de trás. Depois de enviar os outros para atravessar o ribeiro, ele fica sozinho. Lá ele conhece um homem.

O homem entra em uma luta corpo a corpo com Jacó. Eles lutam a noite toda. Finalmente, o homem desloca o quadril de Jacó. Embora deficiente, Jacó não o deixa e diz: ‘Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”. (Gênesis 32:26 NVI)

Um homem egocêntrico que está tentando progredir na vida e aparentemente está no controle de repente se descobre coxo. Daquele dia em diante, quando ele acordar de manhã, ele vai acordar mancando. Quando ele sair da cama, ele se lembrará de como naquele dia em Peniel ele ficou aleijado, quebrado e vulnerável.

Como indivíduos e como nações, podemos reconhecer que estamos em um momento Peniel próprio. Muitos de nós fomos lembrados de que não estamos no controle de nossas vidas. As nações e suas lideranças perceberam que também não estão no controle. Os sistemas em que confiamos – economia, estabilidade, saúde, etc. – foram todos eliminados. Estamos sendo lembrados de que somos um mundo quebrado. Não vamos rejeitar, mas abraçar esta temporada de deficiência.

Depois de aleijar Jacó, o homem em Peniel pede que ele diga seu nome. Os nomes na cultura judaica denotam caráter. O suplantador e aquele que lutou com o homem – Jacó – está agora sendo solicitado a declarar seu nome, e, portanto, seu caráter. Quando ele faz isso, ele recebe um novo nome – Israel, aquele que luta com Deus. Uma mudança no nome também significa uma mudança em quem ele é. De ser uma pessoa que luta para controlar sua vida, ele se torna alguém que entrega sua vida a Deus!

Neste momento Peniel, nós, como indivíduos e como nações, não apenas precisamos abraçar nosso quebrantamento, mas também permitir que Deus mude nosso nome e caráter. Deixe-nos passar de carentes lutando pelo controle, para os que entregam tudo a Deus.

Qual poderia ser o resultado disso?  

Se seguirmos a vida de Jacó após o encontro em Peniel, duas coisas se destacam. Primeiro, há uma renovação de seu relacionamento com Deus. Até então, ao contrário do pai e do avô, ele não construiu um altar nem adorou a Jeová. Enquanto fugia de seu irmão, ele barganhou com Deus e prometeu que se fosse trazido de volta em segurança para Betel, ele construiria uma casa para Ele lá. (Gênesis 28:20-22 [4]) Ele se esqueceu dessa promessa. Após a mutilação e a mudança de nome, vemos Jacó construindo um altar a Deus em Siquém. (Gênesis 33:18-20 [5]) Mas depois de se estabelecer, ele novamente se esquece de sua promessa sobre Betel. Deus vem até ele e o lembra, então ele retorna a Betel, constrói um altar e adora a Deus ali. (Gênesis 35:1-7 [6])

Em segundo lugar, se seguirmos a vida de Jacó depois do momento Peniel, veremos que ele não está mais se guiando. Em vez disso, ele está sendo conduzido – pacificamente – por Deus e seus entes queridos. Isso é o que vai acontecer conosco se não perdermos esta preciosa temporada de Peniel. Devemos orar para que nosso mundo também receba essa experiência. Oremos para que as nações e seus líderes desenvolvam um senso de confiança, dependência e descanso – não em sua própria capacidade de controlar a situação, mas em Deus.

Que esta temporada seja de engajamento proativo com Deus, por meio do qual somos quebrantados, tornados vulneráveis ​​e permitindo que Deus mude nosso nome e caráter. Essa época nos levará a um relacionamento renovado com Deus e à paz de sermos liderados por ele.


O Dr. Santhosh Mathew é Secretário Regional para o Sul da Ásia e Chefe de Treinamento do ICMDA

Referências

1. https://blogs.icmda.net/author/smathew/

2. Médicos de Cristo – Tradução: Mireille Gomes / Revisão: Suany Serudo

3. https://www.bibliaonline.com.br/nvi/gn/32/22-32

4. https://www.bibliaonline.com.br/nvi/gn/28/20-22

5. https://www.bibliaonline.com.br/nvi/gn/33/18-20

6. https://www.bibliaonline.com.br/nvi/gn/35/1-7

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https://blogs.icmda.net/2020/10/06/estamos-em-um-momento-peniel-com-deus-para-sermos-quebrantados-e-vulneraveis/feed/ 0
Cinco chamados e uma promessa para tempos incertos https://blogs.icmda.net/2020/10/06/cinco-chamados-e-uma-promessa-para-tempos-incertos/ https://blogs.icmda.net/2020/10/06/cinco-chamados-e-uma-promessa-para-tempos-incertos/#comments Tue, 06 Oct 2020 13:04:28 +0000 https://blogs.icmda.net/?p=760 ‘“Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei.”’ (Jeremias 29:11-12 NVI)

Um versículo que tem encorajado e desafiado muitos nestes dias. Eu vi essa mensagem em muitos grupos, prefácios e mídias sociais neste período. Uma excelente promessa a cumprir enquanto atravessamos este longo período incerto.

lot of people walking on street

Lendo as seções da Bíblia de onde isso foi tirado, percebi que essa promessa – dada aos judeus no cativeiro na Babilônia – se enquadra no contexto de alguns chamados e mandamentos à nação cativa. Quero olhar para o contexto e destacar cinco mandamentos ou chamados que Deus estava dando por meio de Jeremias.

Havia duas comunidades para as quais Jeremias estava levando a mensagem de Deus. Primeiro, os líderes e comunidades que estavam sitiados (quarentena) em Jerusalém na esperança de um levantamento da ocupação em um futuro próximo. O segundo foram os cativos que foram levados para a Babilônia e viviam na esperança de um retorno em breve. Eles tinham líderes que constantemente lhes diziam que esse contexto logo passaria. (Jeremias 28:10-11 [3], Jeremias 29:15 [4])

Jeremias, por meio da demonstração visual com um jugo de madeira em volta do pescoço e, mais tarde, da imagem de um jugo de ferro, comunicou uma perspectiva de longo prazo a ambas as comunidades. Em contraste, a liderança estava dando a eles esperanças de um desafio de curto prazo e uma reversão rápida em breve!  (Jeremias 27:2 [5], Jeremias 28:13 [6]).

Quero que consideremos cinco chamados que Deus estava fazendo a essas comunidades por meio de Jeremias.

Um chamado para se submeter ao contexto(Jeremias 27:11 [7])  O pensamento de curto prazo da liderança teve de ser ignorado para uma perspectiva de longo prazo. Eles estavam sendo solicitados a se submeter ao contexto de um cativeiro de longo prazo e uma nova fase da vida.

Um chamado a uma vida produtiva e engajada no presente(Jeremias 29:4-7 [8])  O grupo que havia sido levado cativo estava esperando, com base nas promessas de alguns de seus líderes para ser trazido de volta em breve. Eles estavam olhando para o passado, lembrando-se dele e esperando o dia em que poderiam voltar. Jeremias os desafia a construir casas, plantar vinhas, se casar, ter filhos e buscar a paz e a prosperidade de seus captores e da terra onde estavam. Um chamado para vivermos engajados vive no contexto atual.

Um chamado para viver uma vida de oração.  Jeremias não apenas pede que busquem a paz e a prosperidade da terra para onde foram levados como cativos, mas que orem pela terra, porque no bem-estar da terra estava o bem-estar deles. Um chamado para viver uma vida de oração pela nação que destruiu suas terras e os levou como cativos.  (Jeremias 29:7 [8])

Um chamado para viver uma vida de discernimento.  Jeremias os desafia a discernir entre a sabedoria do mundo e a sabedoria divina. Discernir entre a falsidade e a verdade.  (Jeremias 29:8-9 [9], Jeremias 29:31-32 [10])  Ele estava os desafiando a entender o contexto e a estação através da perspectiva de Deus e não serem apanhados com as falsas mensagens circulando.

Um chamado para viver vidas esperançosas.  O quinto e último chamado foi de esperança para o futuro. Esperança de uma restauração física e uma restauração espiritual. A restauração física levaria 70 anos! (Jeremias 29:10 [11])  Muitos daquela geração não estariam por perto para ver essa restauração se tornar uma realidade. Em certo sentido, eram como aqueles descritos em Hebreus 11: ‘Todos estes ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra.’  (Hebreus 11:13 NVI)  Eles deveriam viver uma vida de esperança por um futuro além de suas vidas! Ao mesmo tempo, uma esperança de uma restauração espiritual de um relacionamento com Deus e Seu relacionamento com eles.  (Jeremias 29:12-13 [12])

Prensada entre essas ligações estava a promessa: ‘“Porque sou que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de causar danos, planos de dar a vocês esperança e um futuro. Então, vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. ”

Um lembrete para nós neste período – para nos apegarmos à promessa dos grandes planos de Deus para nossas vidas. Ao mesmo tempo, um chamado a uma vida de submissão e engajamento frutífero no presente. Vidas de oração pelo contexto e por nossas nações, discernindo os propósitos de Deus para nós e as nações nesta temporada. Mantendo a esperança de uma restauração física em seu tempo, mas uma restauração espiritual hoje. 

Que Deus nos capacite a viver essas vidas!  


Santhosh Mathew é Secretário Regional para o Sul da Ásia e Chefe de Treinamento do ICMDA.

Referências

1. https://blogs.icmda.net/author/smathew/

2. Médicos de Cristo – Tradução: Mireille Gomes / Revisão: Suany Serudo

3. Então o profeta Hananias tirou o jugo do pescoço de Jeremias e o quebrou, e disse diante de todo o povo: “Assim diz o Senhor: ‘É deste modo que quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e o tirarei do pescoço de todas as nações no prazo de dois anos’ “. Diante disso, o profeta Jeremias retirou-se. Jeremias 28:10,11 NVI

4. Vocês podem dizer: “O Senhor levantou profetas para nós na Babilônia”, Jeremias 29:15 NVI

5. Assim me ordenou o Senhor: “Faça para você um jugo com cordas e madeira e ponha-o sobre o pescoço. Jeremias 27:2 NVI

6. “Vá dizer a Hananias: ‘Assim diz o Senhor: Você quebrou um jugo de madeira, mas em seu lugar você fará um jugo de ferro. Jeremias 28:13 NVI

7. Mas, se alguma nação colocar o pescoço sob o jugo do rei da Babilônia e a ele se sujeitar, então deixarei aquela nação permanecer na sua própria terra para cultivá-la e nela viver’, declara o Senhor”. Jeremias 27:11

8. Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia: “Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e dêem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam. Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”. Jeremias 29:4-7 NVI

9. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: “Não deixem que os profetas e adivinhos que há no meio de vocês os enganem. Não dêem atenção aos sonhos que vocês os encorajam a terem. Eles estão profetizando mentiras em meu nome. Eu não os enviei”, declara o Senhor. Jeremias 29:8,9 NVI

10. “Envie esta mensagem a todos os exilados: ‘Assim diz o Senhor sobre Semaías, de Neelam: Embora eu não o tenha enviado, Semaías profetizou a vocês e fez com que vocês cressem numa mentira, por isso, assim diz o Senhor: Castigarei Semaías, de Neelam, e os seus descendentes. Não lhe restará ninguém entre este povo, e ele não verá as coisas boas que vou fazer em favor de meu povo’, declara o Senhor, ‘porque ele pregou rebelião contra o Senhor’ “. Jeremias 29:31,32 NVI

11. Assim diz o Senhor: “Quando se completarem os setenta anos da Babilônia, eu cumprirei a minha promessa em favor de vocês, de trazê-los de volta para este lugar. Jeremias 29:10 NVI

12. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Jeremias 29:12,13 NVI

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