No meu post anterior neste blog [1] sobre liderança em pandemias, introduzi seis princípios orientadores: não ceda ao pânico; inove se não tiver recursos; seja compassivo e proteja os mais vulneráveis; tenha fé em Deus, reflita e aprenda o que ele está nos ensinando; e revise e mude as coisas à medida que surgirem novas evidências.

Ao investigar minha própria vida e o contexto ao redor, observo um ‘pânico contínuo’. Por quê? Por causa da miríade de informações vindas das nações que são severamente afetadas. Essas informações estão criando um profundo sentimento de ansiedade, medo e pânico, não apenas entre o público, mas também entre os profissionais de saúde.

Isso também surge de um sentimento de incerteza. Nós que estamos nesses países em que ainda não se tem um grande fardo de casos de coronavírus, mas estão paralisados para prevenir e mitigar, estamos impressionados com as previsões e o potencial futuro, de quão ruim a propagação poderia ser. A incerteza está criando noites sem dormir e incapacidade de pensar e responder com uma mente sã.

Além disso, estão os padrões desejáveis de atendimento compartilhados pelos especialistas em saúde e a realidade dos contextos em que alguns de nós trabalham. Os padrões são inacessíveis, devido a várias razões – seja na ampliação de testes, EPIs e outros sistemas de atendimento.

Depois, há essa frustração emergindo das rachaduras em nossa sociedade que são mais visíveis durante esse período. Como os milhares de trabalhadores migrantes que ficaram presos durante a quarentena. Um líder sênior da Índia escreveu isso – que expressa a realidade:

“Toda essa pandemia, além de expor a fragilidade de nossos ‘poderosos’ em nossas nações e as fendas em nossa sociedade entre os ricos / classe média e os pobres, o trabalho organizado e os migrantes, urbanos e rurais distantes, também expõe a ‘pobreza das nossas igrejas’. Estamos ocupados encorajando o rebanho neste momento de distanciamento social (importante principalmente para os ricos / médios). Isso não apenas mostra que estamos longe de oferecer uma perspectiva para essa nova situação, mas, mais importante, que somos ‘ausentes no domínio público’ – ninguém está sentindo a nossa falta (nenhuma surpresa).“ (Jayakumar Christian, Chennai (comunicação pessoal))

E isso frustra aqueles de nós que estão olhando a realidade do contexto.

Tudo isso leva a um medo de engajamento – e incapacidade de entender o que significa se engajar. Medo pelo próprio futuro, perguntas sobre a gigantesca tarefa que temos pela frente e a futilidade do pouco que podemos fazer. Como devemos viver em meio a isso? Além de cultivar e manter os seis princípios, existem outras atitudes interiores e recursos espirituais que precisamos recorrer?

Mais quatro pensamentos a considerar (enfatizando novamente alguns dos seis), enquanto enfrentamos esses contextos contínuos de pânico, medo e incerteza:

1. Continue cultivando uma mente sã

A palavra grega original traduzida como ‘mente sã’ aqui é sophronismos, e aparece na Bíblia somente desta vez. Em outras traduções da Bíblia, a palavra sophronismos é traduzida por ‘autocontrole’ (ESV), ‘autodisciplina’ (NIV, NLT), ‘disciplina’ (NASB), ‘bom julgamento’ (GW) e ‘bom senso’ (CSB). A influência do Espírito de Deus é necessária para produzir uma mente genuinamente sã.

A mente sã de que Paulo fala é uma mente sob o controle do Espírito Santo de Deus. No sentido de autodisciplina, a palavra sophronismos denota um pensamento cuidadoso, racional e sensível. Ter uma mente sadia requer um processo de pensamento baseado na sabedoria e clareza que Deus transmite, em vez de ser manipulado pelo medo.

Essa é a mente sadia que precisamos cultivar para examinar evidências e contextos emergentes – uma mente sob o controle de Deus, ao mesmo tempo um pensamento cuidadoso, racional e sensível, e que não é manipulado pelo medo.

2. Segure-se em um coração esperançoso

Em tempos de incerteza, de onde vem nossa esperança? Virá das várias maneiras inovadoras em que podemos responder, um pensamento positivo (talvez negação) de que o pior não afetará a nós e ao nosso país ou uma esperança de que seremos protegidos, aconteça o que acontecer – com base na nossa fé em Deus?

Nossa esperança em tempos incertos deve vir da “certeza de um Deus que é soberano”. A certeza de que o Deus em que acreditamos é aquele que usará essas circunstâncias para um propósito maior. Embora não possamos entendê-lo hoje, depositamos nossa fé naquele Deus que certamente está segurando o futuro em suas mãos.

3. Explorar formas de engajamento fiel

Precisamos entender o que o engajamento fiel significa para cada um de nós. Para alguns de nós, pode estar na vanguarda da batalha, participando ativamente; para outros, pode significar estar em segundo plano, apoiando aqueles na linha de frente.

Alguns outros podem estar presos, incapazes de estar lá fora, em casa. Mesmo aqui, precisamos entender como podemos contribuir, através da oração, do planejamento ou do contato com aqueles que estão na linha de frente. E para não esquecer os custos que os pobres e os marginalizados suportam.

4. Incentivar e motivar um ao outro a perseverar

Também precisamos acompanhar pessoas que estão com medo e confusas e incentivá-las. Precisamos ser pessoas que motivam os cansados ​​e exaustos a perseverar. Precisamos encontrar recursos que forneçam a força para que essas pessoas continuem em seu amor e boas ações.

“Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel. E consideremo-nos uns aos outros para incentivar-nos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros…” (Hebreus 10:23-25 NVI)

Envolver-se fielmente com uma mente sã, encorajando-se mutuamente e dando esperança, neste momento de desânimo e aparente desesperança, é o nosso chamado. Que sejamos essas pessoas.


Santhosh Mathew
Secretário Regional do ICMDA no sul da Ásia

Tradução: Médicos de Cristo

Referências

1. https://blogs.icmda.net/2020/03/24/leadership-in-pandemics-six-principles-to-guide-us/

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  1. […] En Français, Português […]

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